Notas de Conjuntura15 de outubro de 2026 |
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Desde o primeiro turno das eleições
presidenciais, realizadas em 31 de maio deste ano, a população da Colômbia foi
chamada a escolher entre dois projetos de país. O primeiro, defendido pelo
ex-guerrilheiro Iván Cepeda, dava continuidade à pacificação dos conflitos com
os grupos armados e propunha a construção de uma sociedade mais equitativa. O
segundo, da extrema direita, liderado pelo advogado Abelardo de la Espriella,
afirmava que só a violenta repressão do “narcoterrorismo” traria a paz desejada
e abriria as portas a investimentos que fariam o PIB alcançar um crescimento
anual de 7,0%.[1]
Para os setores mais conservadores, pacificar
rima com aniquilar os grupos armados e erradicar as plantações de folha de coca
sem oferecer alternativas econômicas aos camponeses. Neste cenário aterrador,
as esperadas violações dos direitos humanos (que, no passado, sempre
acompanharam o uso da força do Estado) acabariam sendo assimiladas pela
população como um mal necessário diante dos benefícios trazidos pelo forte
crescimento econômico.
Para o bloco liderado por Iván Cepeda,
seguir o caminho dos acordos de paz permitiria a reinserção social dos membros
que integraram os grupos armados e o fim das perseguições das lideranças que
atuam em benefício de suas comunidades e movimentos. Paralelamente a isso, onerar
os ricos com mais impostos possibilitaria aumentar as aposentadorias, investir
mais recursos em serviços públicos e seguir a trajetória de redução da pobreza que,
sob o governo de Gustavo Petro, Presidente anterior e integrante do mesmo
partido de Iván Cepeda, caiu de 39,3% da população, em 2022, para 28,0%, em
2025.[2]
A acirrada disputa entre os dois
projetos se confirmou no veredicto das urnas que mostraram uma diferença de
menos de três pontos percentuais no primeiro turno e de 0,96% no desempate
ocorrido em 21 de junho, ambos a favor de Abelardo de la Espriella.[3]
Diante dos resultados, algumas perguntas
dirigem a reflexão sobre a preferência expressa pelos eleitores e as mudanças
que esta põe em andamento: Por que, a ideia de governar com mão de ferro ganhou
o voto majoritário dos colombianos? Qual é o impacto desta escolha no jogo de
interesses que permeia a realidade local e o continente americano? A seguir, reunimos os elementos que permitem
formular as primeiras respostas.
1.
Do cenário
pré-eleitoral aos primeiros meses da mão de ferro do Estado
Quando resgatamos o número médio de
homicídios registrados na Colômbia, temos a impressão de que a sua variação não
justifica a preocupação com a segurança demonstrada pelos eleitores. De fato,
estas ocorrências caíram de um pico de 85,88 por grupo de 100.000 habitantes,
em 1991, para 28,65, em 2014, e flutuaram em volta deste índice até encerrarem 2025
em 25,8 homicídios pela mesma quantidade de habitantes.[4]
A resposta aparece quando saímos das
estatísticas para verificar os elementos do último mandato presidencial que influenciaram
a escolha dos eleitores. Neste campo, dois indícios sugerem que a leitura dos
acontecimentos pelas pessoas simples teve como base a desconfiança em relação
aos resultados efetivos conseguidos pela pacificação viabilizada por Gustavo
Petro e ao papel das instituições que conduziam este processo.
A política de Paz Total do Presidente
anterior apostava na esperança de conseguir desmobilizar um contingente significativo
do Exército de Libertação Nacional (ELN) e do que resta das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (FARC). Ainda que a sensação de insegurança que
marca o cotidiano das pessoas não possa ser integralmente atribuída ao fracasso
desta aposta, é fato que, no mandato de Gustavo Petro, o país viu 15,0% dos guerrilheiros
desmobilizados voltarem a pegar em armas e conheceu um aumento do número de
grupos armados e do território por eles controlado.[5]
O segundo elemento é o contraste
criado nos comícios da extrema direita a partir do desfecho da política de Paz
Total. Esquecendo propositadamente que o judiciário tem o poder de processar
ex-combatentes, ex-militares e civis que cometeram os crimes mais graves
durante o conflito entre a guerrilha, o exército regular e os paramilitares
treinados pelo próprio Estado, Eduardo de la Espriella descreveu os órgãos
envolvidos na pacificação como mecanismos de impunidade protegidos pelo processo
de paz.
Desta forma, quanto maior a sombra de
complacência com a guerrilha que as falas de Abelardo de la Espriella
projetavam no governo de Gustavo Petro, mais se destacava a ideia de aniquilar os
grupos armados como a única saída para uma pacificação efetiva do país. Some a
isso a promessa eleitoral pela qual todo colombiano que demonstre aptidão
física e psicológica poderá ter o porte de armas e entenderá como a extrema
direita elevou a crença de que só ela proporcionaria um nível de segurança
superior ao existente.[6]
Se, de um lado, as estruturas criadas
para salvaguardar o Acordo de Paz, assinado com as FARC em novembro de 2016,
obrigam o Estado a cumpri-lo até 2030 (e só podem ser eliminadas através de uma
emenda constitucional que demanda uma maioria com a qual Abelardo de la
Espriella não conta), de outro, isso não impede que o exército realize ações
repressivas a mando do Presidente. E isso começou a acontecer no dia 11 de
agosto, quatro dias após a posse presidencial. Na ocasião, os militares
colombianos atacaram posições guerrilheiras do Exército de Libertação Nacional
na região de Catatumbo, matando dois guerrilheiros, ferindo três civis, destruindo
a casa de uma família de camponeses e forçando o deslocamento de várias outras
da região.[7]
Nos vinte dias seguintes, ações desse
tipo se repetiram em outras localidades matando 26 pessoas, entre as quais
estavam 2 menores de idade. Realizados com helicópteros e aviões de combate, os
ataques não tinham como distinguir guerrilheiros da população civil e, portanto,
não poderiam poupar vidas inocentes. Alardeadas como uma forma de confirmar a
decisão governamental de aniquilar os grupos armados, as notícias do saldo da
operação apontavam que todos os atingidos tinham alguma ligação com os grupos
armados.[8]
Diante das dúvidas levantadas por
defensores de direitos humanos, no dia 3 de setembro, um juiz determinou a
suspensão dos bombardeios das posições da guerrilha e solicitou provas de que
os menores mortos eram recrutas das mesmas.[9]
Longe de se deixar intimidar pelos questionamentos recebidos, o Presidente respondeu
às investidas divulgando imagens nas quais caminha orgulhoso entre os corpos
sem vida dos supostos guerrilheiros.
Em condições normais, exibir cadáveres
como troféus de uma conquista que se completará com a morte de muitos outros deveria
levar as pessoas a se perguntarem que tipo de sociedade está sendo construída
e, sobretudo, por que a morte é alardeada como a única forma de fazer justiça. Contudo,
no lugar de apontar um excesso do Estado a ser recriminado, o fato foi lido,
predominantemente, como um símbolo do poder público que normaliza a crueldade
para transmitir uma mensagem de força e intimidação. E, aqui, não podemos
esquecer que, quanto maior o apoio tácito da maioria, mais a repressão, ao atribuir
algum tipo de ligação com as guerrilhas existentes, poderá atingir impunemente movimentos
e grupos sociais que incomodam as elites atuando na legalidade.[10]
Dois acontecimentos diametralmente
opostos colocam alguns pontos de interrogação ao uso indiscriminado da força
como solução dos problemas sociais. O primeiro deles se desenrolou na segunda
metade de setembro quando o Presidente da República decretou a militarização do
polo turístico de Santa Marta após o grupo paramilitar Autodefesa da Sierra
Nevada (ACSN) ordenar dois dias de fechamento do comercio da cidade. Com seis
membros e o líder financeiro da organização mortos numa operação conduzida
pelas forças governamentais, a ACSN, numa clara atitude de desafio, realizou um
funeral em grande estilo do líder morto e conseguiu fechar 95,0% do setor de
serviços, ocasionando um prejuízo estimado em 50 milhões de dólares.
Aterrorizados pelas ameaças da ACSN e
com as equipes de segurança governamentais patrulhando as ruas às ordens de um
presidente que, armado na frente delas, ameaçava matar quem não se submetesse
ao Estado, os 600 mil moradores de Santa Marta se sentiram em prisão
domiciliar. [11]
Sem incidentes e confrontos durante os dias do fechamento, a dúvida das pessoas
se resume a uma única pergunta: a que normalidade suas vidas voltarão quando as
forças governamentais forem embora e os problemas sociais que alimentam as
fileiras da ACSN continuarem negando perspectivas de futuro às pessoas comuns?
O segundo acontecimento guarda uma
relação direta com o reaparecimento das execuções extrajudiciais. Passados
menos de dois meses da posse de Abelardo de la Espriella, a primeira denúncia
desta violação dos direitos humanos trouxe ao conhecimento público o caso de
duas mortes e um desaparecimento. A primeira morte, considerada um “falso
positivo” (ou seja, quando os agentes acreditam estar liquidando um criminoso
que, na verdade, é um trabalhador), é a de Ricardo Rodríguez Martínez, de 18
anos, que trabalhava na área rural próxima a Santa Marta e foi assassinado
durante a operação policial contra o crime organizado; a segunda ocorreu em
Bogotá, capital do país, e vitimou Donovan Belanta, um afrodescendente
deslocado de sua comunidade que foi detido e torturado até a morte por
policiais; o terceiro caso é o do agricultor Luis Carlos Mojica
Guzmán, que, segundo o Conselho de Ação Comunitária de La Macarena, sul da
Colômbia, foi levado por uma unidade do exército e está desaparecido. O pedido
de “justiça” que se ergue sobre o sangue inocente tem a dura tarefa de
enfrentar as barreiras que a vontade presidencial de garantir a segurança pela “razão ou pela força” impõe ao cotidiano
do país. [12]
Pensando no futuro imediato, o que
mais preocupa os observadores guarda uma relação direta com o retorno da
estratégia governamental baseada na equação “mais
força armada = mais segurança” potencializada pelo aumento das organizações
designadas como “terroristas”. Esta denominação proporciona ao governo uma
maior margem de manobra para as ações militares, cuja violência matou 7.837
civis durante o governo do Presidente Álvaro Uribe e forçou o deslocamento de 8
milhões de pessoas sem produzir o fim das hostilidade e sem criar condições
para que os camponeses trocassem a folha da coca por outro cultivo rentável.[13]
Sabendo que a atuação do seu governo
aumentará o descontentamento social, Abelardo de la Espriella emitiu um decreto
que endurece a atuação das forças de segurança durante marchas, concentrações e
manifestações de rua. O texto prevê, por exemplo, que os policiais mantenham
uma distância de apenas quatro metros dos participantes e usem a força não só
quando de danos ao patrimônio público e privado ou ao constatar o porte ou o
uso de armas e explosivos, mas sempre que haja lançamentos de objetos e
retenção das pessoas contra a vontade delas. Concretamente, ao dizer que “o direito de protestar não está acima do
direito de trabalhar, estudar, circular e viver em paz”, o Presidente da
República, além de ameaçar reprimir com o uso da força a realização de
piquetes, veda que os protestos interrompam, por exemplo, a circulação de veículos
na área onde se realizam sob pena de os manifestantes enfrentarem a repressão policial.
O que, no fundo, é uma forma de legalizar a violência destinada a coibir e
reprimir o descontentamento social. [14]
Felizmente, a intimidação contida no
decreto 1525 sofreu uma primeira derrota na manifestação organizada pela
oposição nas ruas de Bogotá, Medellín, Bucaramanga, Pereira e Riohacha. As
marchas reuniram partidos de oposição, professores, estudantes de universidades
públicas, aposentados, servidores públicos, indígenas e grupos feministas no
que foi visto como o prelúdio dos protestos que virão. Milhares de pessoas ocuparam
as ruas para condenar a agenda econômica e de segurança do Executivo, o aumento
do custo de vida e a regressão das conquistas sociais, a onda de violência das
forças armadas e a tentativa de coagir o protesto social.[15]
Difícil dizer se este primeiro enfrentamento ganhará a amplitude desejada pelos
organizadores, mas é um claro recado de que a extrema direita colombiana não
terá vida fácil.
2.
Fé em Deus, na família e...na submissão a Donald
Trump.
A leitura da
história ensina que, em inúmeras ocasiões, guerras, massacres e uma longa lista
de aberrações dos governantes ganharam a chancela da aprovação divina. Não
sabemos o que Deus pensou ao ver seu nome vinculado à consagração de tiranos,
bênçãos de armas e exércitos que matariam inúmeros inocentes, à condenação de
pessoas simples ao enforcamento ou à fogueira por motivos que hoje consideraríamos
estúpidos, etc., mas a história deixa transparecer que, quanto maiores eram as
demandas dos grupos de poder, maior era também a necessidade de estes vincularem
suas ações a um suposto plano divino.
Na eleição de
Abelardo de la Espriella, os apelos a personagens bíblicas ou a slogans do
cristianismo conservador trataram de atrair o apoio das confissões religiosas a
um governo que, desde início, tinha como principal projeto o de matar para
livrar o país da violência. Foi assim que, durante a campanha eleitoral, Abelardo
de la Espriella anunciou profeticamente a chegada de uma “Pátria Milagrosa” e se
comparou a Ciro o Grande (o rei persa que, de acordo com a Bíblia, permitiu ao
povo de Israel sair do exílio na Babilônia).[16]
Em vários
discursos antes de ser empossado, o mandatário colombiano repetiu o slogan “Viva Cristo Rei” que, na primeira
metade do século passado, estava associado ao esforço de católicos
ultraconservadores de imporem ao Estado a marca de suas convicções. Do mesmo
modo, ao prometer que colocaria Deus em todas as decisões de governo, Abelardo
de la Espriella obrigou seu futuro gabinete a se ajoelhar para rezar a fim de
sinalizar que a fé, e não a sede de poder, estaria acima de tudo.[17]
Se isso não
bastasse, no discurso de posse, declarou que havia chegado o tempo de uma
batalha cultural para “recuperar o valor
da família, do mérito, da disciplina, do respeito à lei, do amor à Pátria, da
fé em Deus e da responsabilidade individual” e pediu à Ministra da Cultura
que liderasse esta batalha. Poucos dias depois, ao afirmar que era impossível
governar o mundo com justiça sem Deus e sem a Bíblia, a própria Ministra, deu
um tom sagrado às decisões que tomaria para realizar a tarefa encomendada.
Entre elas, estavam a eliminação do país de qualquer traço da cultura “woke”
(ou seja, das reflexões baseadas em elementos estruturais da sociedade que
buscam acordar as pessoas em relação às causas mais profundas dos problemas do
país) e o congelamento de um programa de bolsas para artistas que vigorava há
27 anos e era o símbolo de uma liberdade cultural que não temia críticas e
inovações.[18]
Para católicos conservadores
e evangélicos, o discurso a favor da eliminação de quanto cheira a marxismo, a
ideologia de gênero e a progressismo soou como música aos ouvidos. A ideia de
construir um país sobre a disciplina, a família e a religião abriu às confissões
religiosas o espaço nos ambientes governamentais que sempre haviam almejado,
mas que as administrações anteriores acabaram fechando. Com Abelardo de la
Espriella, esta possibilidade começou a sair do papel através de um projeto de
emenda constitucional do seu partido que, ao invocar a proteção da vida desde a
concepção, visa reverter a descriminalização do aborto consolidada pelo
Tribunal Constitucional, em 2022.[19]
Felizmente, as
declarações altissonantes de princípios cristãos não demoraram a se deparar com
as provas de fogo da realidade. Alguns exemplos ajudam a esboçar as
contradições nas quais o novo governo já está tropeçando.
A primeira delas
diz respeito à possibilidade de um retorno à tradicional família colombiana, onde
o pai é o chefe da família, a esposa tem um papel de segunda ordem e os filhos
integram o núcleo familiar. De acordo com a Pesquisa de Qualidade de Vida, o número
de famílias compostas por um homem, uma mulher e os filhos nascidos deste
casamento vem caindo ao longo do tempo. Nos anos de 1990, este modelo estava
presente em cerca de 70,0% dos domicílios, mas, em 2025, a porcentagem caiu
para 51,3%. Paralelamente a esta diminuição, o número de lares com pessoas que
escolhem morar sozinhas cresceu de um ano para outro e, em 2025, representou
20,0% dos lares. No mesmo ano, os dados apontam que o papel de chefe da família
era exercido por mulheres em 55,6% dos casos, algo que, a nosso ver, contraria
a possibilidade de um retorno à família patriarcal desejada pelo Presidente da
República.[20]
Trocado em miúdos, na atualidade, a “família
tradicional colombiana” só existe nos discursos oficiais que a apresentam como
algo sagrado na exata medida em que veiculam a imagem do Estado como uma grande
família na qual o governo zela pela moral e o bem-estar dos seus membros. Para
alguns analistas, a defesa deste mito é parte da estratégia para salvaguardar
as estruturas de poder do Estado-Nação nos momentos em que o desgaste sofrido
pela ordem dominante enfrenta a necessidade de apresentar “os desajustes
familiares” como causadores dos problemas sociais.
O segundo exemplo
diz respeito às deportações de imigrantes ilegais que começaram um dia após a
posse do novo Presidente da República. Sob a alegação pela qual parte dos
deportados representa um risco à segurança nacional, Abelardo de la Espriella
deu início a um plano que deve atingir, sobretudo, os cerca de 850 mil
venezuelanos em situação irregular e que sequer têm condições econômicas para
legalizar a sua permanência no país. Ao definir a clandestinidade como crime, o
Presidente da República busca o consenso social em volta desta medida que copia
a política migratória com a qual Trump descarrega sobre os migrantes a
responsabilidade das mazelas sociais cuja origem deve ser procurada no
funcionamento do próprio sistema capitalista.
Assim como nos
EUA, o Tribunal Constitucional da Colômbia pode se tornar o único obstáculo às
deportações em massa ao exigir a realização de um processo legal para cada
candidato a ser enviado ao país de origem. Resta saber se os seus integrantes
peitarão a decisão presidencial apoiada interna e externamente por quem deseja
sustentar a ideia de que os imigrantes são uma ameaça para os nativos. Pelo
visto, o apelo à presença de Deus e à leitura da Bíblia para que o governo aja
com justiça e o propósito de proteger a vida desde a sua concepção não vale no
caso dos imigrantes e perde feio pela retórica xenófoba do Presidente contra
este setor da sociedade que dá nó em pingo d’água para sobreviver.[21]
O terceiro
acontecimento que desmascara o governo através de suas atitudes se desdobra em volta
do forte terremoto que atingiu a Colômbia no dia 10 de agosto deste ano. Num
momento em que a rapidez da intervenção é um elemento crucial para retirar dos escombros
o maior número possível de sobreviventes, Abelardo de la Espriella não aceitou as
equipes de resgate de alguns países por motivos políticos. Em seguida, na
visita a Quibdó, uma das áreas mais atingidas pelos tremores e com as
estruturas de saúde completamente devastadas, mostrou seu distanciamento da dor
do povo ao distribuir bolas com a sua propaganda eleitoral aos que se
aproximavam do veículo blindado no qual trafegava. Visto como uma punição pelo
fato de os moradores terem votado majoritariamente em Iván Cepeda, o gesto foi
respondido com a indignação própria de quem, no lugar de receber a ajuda
indispensável após uma catástrofe, assiste a um espetáculo publicitário
grotesco e desumano.
O menosprezo por
este sofrimento foi reafirmado pelo Ministro da Habitação, Jaime Beltrán, que,
em plena emergência pelas consequências do terremoto, foi fotografado relaxando
na praia de uma residência de luxo de Santa Marta. Enquanto os centros habitacionais
mais atingidos amargavam as consequências do desabamento de 197 prédios, a
destruição de 23.392 casas e os danos de diferente gravidade de outras 127.608,
o encarregado da política habitacional tirava uma semana de férias. Muitas
famílias colombianas, cujas vidas os discursos oficiais apontavam como uma preocupação
de primeira ordem, viram o governo passar bem longe delas.[22]
O que, para
alguns, parece até normal quando se trata da alta burocracia do Estado, para
qualquer observador atento, é um indício que revela os grupos sociais que não
serão beneficiados pela política governamental. O teste mais consistente virá
das escolhas para sanar as contas públicas. No momento em que escrevemos, as
projeções indicam que a Colômbia deve encerrar 2026 com um déficit equivalente
a 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Culpar energicamente as administrações
anteriores pela crise orçamentária é esquecer que as medidas para socorrer os
empresários e a população durante a pandemia da Covid 19 foram a principal
causa do desajuste nas contas públicas e dos seus efeitos prolongados na
economia da Colômbia.
Mantida a
situação atual, os estudos do novo governo projetam para 2027 gastos públicos
equivalentes a 24,9% do PIB e uma receita em torno de 15,5% da mesma base de
cálculo. Cobrir o rombo de 9,4% contraindo mais dívida junto ao sistema
financeiro implicaria em aumentar a taxa de juros e o montante dos mesmos a ser
futuramente retirado dos cofres do Estado. Ao definir a perspectiva como
dramática, Abelardo de la Espriella busca aumentar as adesões em torno de um
corte profundo nos gastos. Porém, quando ampliamos o foco para outros itens do
orçamento, percebemos que a isenção fiscal na Colômbia, em 2026, está em 9,0%
do PIB. Isso equivale a uma quantia mais que suficiente para quitar o déficit
deste ano e cobrir quase integralmente o rombo esperado para 2027.
Pela aritmética,
o novo Presidente teria condições de diminuir o déficit nas contas públicas sem
aumentar os sofrimentos da população. Mas, em política, a aritmética precisa
sempre acertar as contas com os interesses dos grupos de poder que sustentaram
a candidatura do mandatário recém-eleito com base na promessa de que o ajuste
para alcançar o superávit primário seria produzido cortando em 25,0% o tamanho
do Estado e reduzindo os impostos.
Enquanto o
governo Petro manteve o nível de gastos da pandemia para melhorar as condições
de vida da população, Abelardo de la Espriella, caso não queira ser rifado pela
elite, terá o corte drástico dos gastos sociais como a principal saída para
reduzir o déficit público de 9,4% para 7,2% do PIB em 2027, patamar
praticamente igual à estimativa para este ano. Ao que tudo indica, isso será só
o tira-gosto das amarguras que virão caso a economia tenha um crescimento
suficientemente alto para aumentar a arrecadação de forma consistente.[23]
Outro elemento
que mostra a cara do novo governo está no processo pelo qual o Presidente eleito
trata de aumentar a sua confiabilidade diante de Donald Trump. Pouco mais de
duas semanas antes de assumir o cargo e como forma de agradecê-lo pelo apoio
recebido, Abelardo de la Espriella anunciou que a cidade de Medellín abrigaria
o escritório local do Escudo das Américas, a aliança liderada pelos EUA, antes
mesmo de a Colômbia se associar oficialmente a esta iniciativa estadunidense.[24]
Nos dias 11 e 12
de agosto, com a emergência nacional despertada pelo terremoto ao centro das
atenções, o mandatário colombiano autorizou as tropas dos EUA a realizarem
manobras militares contra o narcotráfico no país, um passo que, segundo a
oposição, deveria passar pela aprovação do Congresso Nacional.[25] E,
como as declarações verbais não bastam como prova de confiabilidade, no mesmo dia,
Abelardo de la Espriella reconheceu a soberania israelense sobre as colinas de
Golã, condenada pela resolução 497 do Conselho de Segurança da ONU e que, até
aquele momento, contava apenas com o apoio dos EUA.[26]
Duas semanas
depois, para se alinhar à luta contra o fim dos combustíveis fósseis, o mandatário
colombiano apoiou a produção comercial de petróleo por meio da fratura
hidráulica (fracking). Graças a este processo altamente poluente o país elevará
a extração do hidrocarboneto dos atuais 376 mil barris diários para um milhão e
300 mil com um elevado uso da água antes destinada ao consumo da população e a
outras atividades econômicas.[27]
Em seguida, no
dia 24 de setembro, Bogotá formalizou a ruptura das relações diplomáticas com o
Irã, alegando supostos vínculos do governo de Teerã com grupos terroristas internacionais,
violações dos direitos humanos contra a população iraniana e as de outros
países em função dos bombardeios lançados em resposta à agressão armada de
Israel e dos EUA. Finalmente, em 14 de outubro, transferiu de Tel Aviv para
Jerusalém Leste a embaixada do país em Israel, se unindo aos EUA na violação das
disposições da ONU pelas quais este setor da cidade pertence aos palestinos.[28]
Esta
movimentação frenética não pode nos fazer esquecer o aspecto central do
programa de Abelardo de la Espriella para o país: o fim do narcoterrorismo. Se
é verdade que o crime organizado não respeita as fronteiras nacionais, parece
lógico estreitar laços com países vizinhos e com aqueles dotados de melhores e
maiores recursos. Contudo, a adesão da Colômbia à iniciativa Escudo das
Américas, promovida por Donald Trump e pela qual militares estadunidenses podem
entrar e sair livremente do país, deixa uma pergunta no ar: seria esta a
estratégia mais eficaz para erradicar esta praga?
Alguns elementos
sugerem que não. O primeiro deles diz respeito à procedência das armas nas mãos
dos criminosos. De um lado, é bastante comum que equipamentos de uso exclusivo
dos exércitos nacionais das Américas subtraídos das mãos dos traficantes não
levem a investigações que apurarem como os mesmos saíram dos paióis das forças
armadas e nem as rotas que percorreram até chegarem ao crime.[29]
De outro, quando
analisamos as apreensões em alguns países, percebemos que grande parte do
armamento recuperado vem dos EUA. No caso do México, por exemplo, sete em cada
dez armas apreendidas nas operações contra os cartéis da droga em 2025 vinham
dos EUA, cujas lojas situadas na fronteira com o território mexicano vendem
livremente estes equipamentos a quem quiser comprar.[30]
Bom, sabendo que não há como controlar o destino final de revólveres e fuzis,
por que quase nada se faz para combater o fluxo que começa com “vendas legais” em
território estadunidense e termina nas mãos dos criminosos? Será que os ganhos
da indústria de armas são mais importantes do combate ao narcotráfico?
O último
elemento levanta questionamentos quanto à conivência do mercado financeiro com
a lavagem dinheiro do crime organizado. Segundo estimativas do Escritório das
Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODOC) publicadas em julho de 2012, os lucros
estimados das redes criminosas somavam 870 bilhões de dólares anuais. Deste
volume, 320 bilhões de dólares correspondiam ao tráfico de drogas; 32 bilhões
ao tráfico de pessoas; 7 bilhões ao contrabando de migrantes; sendo que a maior
parte do restante vinha da falsificação e do contrabando de mercadorias.[31]
Bom, não é
segredo para ninguém que, nos 14 anos até 2026, o comércio de entorpecentes ampliou
fortemente suas redes de produção e distribuição. A destruição dos grandes
cartéis e os apertos na fiscalização levaram à criação de uma miríade de grupos
menores, [32]
com maior capilaridade, agilidade e novas formas de atuação que ofereceram drogas
mais caras e mais viciantes, elevando o valor anualmente movimentado pelo
narcotráfico.
Para termos uma
ideia da evolução dos negócios do crime organizado, resgatamos as afirmações de
Jurgen Stock, Secretário Geral da Interpol, divulgadas em março de 2024, pelas
quais os recursos ilícitos anuais oriundos das atividades criminosas do Sudeste
Asiático, portanto, só de uma parte do planeta, somariam entre 2 e 3 trilhões
de dólares.[33]
Sabendo que o dinheiro da bandidagem é lavado nas Bolsas de Valores, no mercado
imobiliário, nas aplicações do sistema financeiro, na compra de objetos de luxo
e obras de arte, entre outras, deveríamos esperar que o combate aos lucros
financeiros do narcotráfico registrasse avanços significativos a fim de sufocar
suas atividades.
Mas, como sempre
ocorre, a necessidade de atingir esta fonte de recursos é quase sempre esquecida
quando se fala em aniquilar o crime organizado. Será que sem este dinheiro os
negócios na Bolsa de Valores e os mercados financeiros globais seriam menos competitivos
e lucrativos? Quantas empresas deixariam de se beneficia dele para realizar
seus investimentos? Será que há também “famílias tradicionais e religiosas” aumentando
seus patrimônios na ciranda financeira alimentada pelo crime?
Diante dos
fracassos das “guerras ao narcotráfico” baseadas, fundamentalmente, na força
militar e na repressão dos mais diferentes grupos criminosos, simplesmente, não
é possível acreditar que aumentando agentes, soldados, helicópteros, aviões de
combate drones e demais equipamentos de vigilância territorial, Trump e os
países que integram o Escudo das Américas consigam vencer esta praga. Por outro
lado, há um aspecto do Escudo das Américas que veio à tona no final de
setembro.
Após voltar da
reunião ocorrida em 24 de setembro, o Presidente do Chile, Antonio Kast, foi
questionado pelo Congresso por ter assinado a Declaração final do encontro do
Escudo das Américas na qual consta o conceito de soberania hemisférica. Introduzido por Washington e assinado pelos
representantes de Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa
rica, El Salvador, Equador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá,
Paraguai, Peru, República Dominicana, Trindade e Tobago, o texto que introduz
esta modalidade compartilhada de soberania nacional abre as portas à
intervenção de outro país nos assuntos locais sempre que grupos do crime
organizado considerados terroristas criem situações que, segundo as ponderações
da aliança, o tornam necessário.[34]
À luz desta
interpretação entendemos porque os EUA foram ampliando a lista das organizações
enquadradas na ameaça potencial de terrorismo internacional. Graças a este
passo, a presença militar estadunidense em locais estratégicos das Américas
ganharia a legalidade de que precisa para “ajustar” problemas e soluções locais
aos interesses econômicos, políticos e militares de Washington.
Desta forma, a
proeminência americana nas Américas seria restaurada com a dissuasão das armas
e das retaliações possíveis, com o controle das rotas marítimas, do comércio
internacional, da origem e do destino dos investimentos (o que permite eliminar
concorrentes indesejados, como a China, de setores econômicos considerados estratégicos),
das relações internacionais a serem tecidas por cada país além de, obviamente,
combater o crime organizado. Afinal, sem este biombo, a pilhagem dos recursos
naturais e as interferências políticas viriam à tona de maneira escancarada e
sem justificativas plausíveis.[35]
A Colômbia foi o
último dos países signatários a integrarem o Escudo das Américas, mas não
pensou duas vezes antes de assinar a Declaração do último encontro. Desde a
campanha eleitoral, o governo de Abelardo de la Espriella promoveu a adesão integral
à política estadunidense como um passo estratégico do seu governo. Logo,
ninguém deve estranhar que a população colombiana será quem mais sofrerá as
consequências desta opção do seu Presidente da República.
Enquanto isso,
os eleitores da extrema direita seguem acreditando nas promessas de um futuro
melhor sem conhecer os alicerces nas quais são fundamentadas e esperando que,
em nome de Deus, do Exército, da família, da liberdade, da prosperidade e sem
lutar para erradicar a exploração, terão maiores possibilidades de melhorar individualmente
o seu padrão de vida. Se a Colômbia era a peça que faltava para fechar o cerco
de Trump em volta do Brasil, com Abelardo de la Espriella esta tarefa,
infelizmente, fortaleceu ainda mais a percepção de que estar ao lado da direita
é estar do lado certo da história.
Impossível
dormir com um barulho desse...
Emilio Gennari,
Brasil, outubro de 2026.
[1] Você pode ter acesso às principais propostas dos dois
candidatos em:
Acessos
realizados entre 01-06.2026 e 08.08.2026.
[2] Em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2022/04/26/pobreza-na-colombia-cai-para-393-em-um-ano.amp.htm
e em: https://www.bloomberglinea.com.br/internacional/abelardo-de-la-espriella-chega-ao-poder-em-colombia-endividada-mas-com-menos-pobreza/
Acessos realizados em 14.10.2026.
[3] Você pode ter acesso aos resultados das eleições em:
- https://www.bbc.com/mundo/articles/c1lyev37q8do Acessos
realizados entre 01-06.2026 e 07.08.2026.
[4] Em: https://www.statista.com/statistics/984798/homicide-rate-colombia/?srsltid=AU7gw4WfaV46kS_oVCTo-h3barha6GAbHPn7PewkrhntyJq1nKsSboRo
e em: https://pt.countryeconomy.com/demografia/homicidios/colombia
Acessos realizados em 01.10.2026
[5] Você pode encontrar estas e outras informações em:
- https://www.bbc.com/mundo/articles/ce8pn4zlrd7o Acessos realizados em 21.07.2026.
[6] Idem.
[7] Em: https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/08/17/colombia-bombardeos-en-el-catatumbo-una-repeticion-de-la-historia/ Acesso
realizado em 18.08.2026.
[8] Em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/31/quatro-menores-de-idade-morrem-em-primeiros-bombardeios-do-novo-governo-da-colombia-diz-agencia.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=ma
Acesso realizado em
31.08.2026.
[9] Em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/09/04/presidente-da-colombia-exibe-corpos-ao-celebrar-sucesso-de-operacoes-contra-guerrilheiros.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias
Acesso realizado em
04.09.2026.
[10] Você pode encontrar mais elementos desta mesma
reflexão em:
- https://www.bbc.com/mundo/articles/c87ve8gr0llo
- https://www.bbc.com/mundo/articles/cd6985dl78xo Acessos
realizados em 11.09.2026.
[11] Você pode encontrar estas e outras informações sobre o
ocorrido em:
- https://www.bbc.com/mundo/articles/cm74ky4x3vp8o Acessos
realizados em 28.09.2026.
[12] Em: https://www.jornada.com.mx/noticia/2026/09/29/mundo/en-colombia-resurgen-ejecuciones-extrajudiciales-con-de-la-espriella Acesso
realizado em 30.09.2026.
[13] Em: https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/08/07/colombia-analisis-la-formula-que-dejo-millones-de-victimas-vuelve-al-poder/ e em: https://elpais.com/america-colombia/2026-08-09/colombia-inicia-una-nueva-era-marcada-por-dios-y-los-uniformes.html Acessos
realizados em 10.08.2026.
[14] Em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/14/presidente-da-colombia-muda-regras-de-resposta-a-protestos-na-vespera-de-manifestacoes-contra-o-governo.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias Acesso
realizado em 14.10.2026.
[15] Estas e outras informações estão disponíveis em:
- https://elpais.com/america-colombia/2026-10-15/la-izquierda-colombiana-muestra-su-musculo-en-sus-primeras-marchas-contra-de-la-espriella.html Acessos
realizados em 15.10.2026.
[16] Em: https://elpais.com/america-colombia/2026-08-09/el-ejercito-de-la-fe-la-batalla-cultural-que-varias-iglesias-quieren-ganar-en-el-gobierno-de-abelardo-de-la-espriella.html Acesso
realizado em 10.08.2026.
[17] Idem.
[18] Em: https://elpais.com/america-colombia/2026-09-26/paola-holguin-traza-el-camino-de-la-batalla-cultural-que-le-encomendo-de-la-espriella.html Acesso
realizado em 27.09.2026.
[19] Em: https://elpais.com/america-colombia/2026-08-09/colombia-inicia-una-nueva-era-marcada-por-dios-y-los-uniformes.html Acesso
realizado em 12.08.2026.
[20] Em: https://elpais.com/america-colombia/2026-09-21/de-la-espriella-promueve-el-regreso-de-la-familia-tradicional-colombiana-un-mito-que-habia-sido-desmentido-hace-60-anos.html Acesso realizado
em 20.09.2026.
[21] Você pode encontrar estas e outras informações em:
Acessos realizados em 08.09.2026.
[22] Estas e outras informações podem ser encontradas em:
- https://elpais.com/america-colombia/2026-08-17/el-ministro-de-vivienda-jaime-beltran-recibe-una-ola-de-criticas-por-descansar-en-la-playa-durante-la-emergencia-del-terremoto-en-colombia.html Acessos
realizados em 18.08.2026.
[23] Em: https://www.bbc.com/mundo/articles/c3n04dydq1lxo Acesso
realizado em 08.10.2026.
[24] Em: https://www.jornada.com.mx/noticia/2026/07/21/mundo/presidente-electo-de-colombia-anuncia-oficina-del-escudo-de-las-americas-en-medellin Acesso
realizado em 21.07.2026.
[25] Em: https://www.jornada.com.mx/noticia/2026/08/15/mundo/colombia-de-la-espriella-aprovecha-terremoto-para-tomar-decisiones-polemicas Acesso
realizado em 16.08.2026.
[26] Em: https://www.palestinechronicle.com/colombias-new-government-embraces-israel-recognizes-sovereignty-over-occupied-golan/ e em: https://www.bbc.com/mundo/articles/cd0xp44y755o Acessos
realizados em 12.08.2026.
[27] Em: https://www.resumenlatinoamericano.org/2026/08/26/colombia-gobierno-de-abelardo-de-la-espriella-alista-cambios-en-la-industria-de-hidrocarburos/ Acesso
realizado em 26.08.2026.
[28] Em: https://elpais.com/america-colombia/2026-09-24/colombia-rompe-las-relaciones-diplomaticas-con-iran.html
E em: https://elpais.com/internacional/2026-10-14/de-la-espriella-convierte-colombia-en-el-mayor-pais-latinoamericano-con-embajada-en-jerusalen.html Acessos
realizados, respectivamente, em 24.09.2026 e em 14.10.2026.
[29] A este respeito, vale a pena ler esta matéria que se
refere ao Brasil e, particularmente, ao Rio de Janeiro: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/10/11/pesquisa-inedita-encontrou-municoes-compradas-pelo-exercito-em-apreensoes-ligadas-ao-comando-vermelho.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias
Acesso realizado em
12.10. 2026.
[30] Em: https://www.jornada.com.mx/noticia/2026/09/27/politica/llegan-de-eu-7-de-cada-10-armas-que-usa-el-crimen
Acesso realizado em 28.09.2026.
[31] Em: https://brasil.un.org/pt-br/60076-crime-organizado-transnacional-gera-870-bilh%C3%B5es-de-d%C3%B3lares-por-ano-alerta-campanha-do-unodc
Acesso realizado em 09.10.2026.
[32] Veja, por exemplo, o que aconteceu no México em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/12/como-traficantes-mexicanos-driblam-maior-fiscalizacao-em-laboratorios-clandestinos.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias Acesso
realizado em 12.10.2026.
[33] Em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/gangues-faturam-ate-us-3-trilhoes-por-ano-com-trafico-humano-diz-interpol/ Acesso realizado em 09.10.2026.
[34] Em: https://www.jornada.com.mx/noticia/2026/09/29/mundo/cancilleria-chilena-bajo-fuego-por-ocultar-contenido-de-la-declaracion-del-escudo-de-las-americas e em: https://www.bbc.com/mundo/articles/ckp84717p3lyo
Acessos realizados em 01.10.2026.
[35] Estas e outras informações podem ser encontradas em:
- https://www.bbc.com/portuguese/articles/ck87zdg420nro Acessos
realizados em 09.10.2026.
