Repudiamos veementemente a invasão da Venezuela pelos Marines estadunidenses e sua previsível arrogância e conhecida prepotência, fundamentada no poder militar e no desgastado argumento mentiroso da defesa da democracia e do combate ao narcotráfico. Sabemos que as guerras protagonizadas pelos Estados capitalistas tem por objetivo realizar lucros ou preparar o terreno para aumento da exploração do proletariado, por meio da mobilização da máquina de guerra que alimenta toda a cadeia produtiva de capital.
Nestes momentos ressurgem velhas explicações, que do nosso ponto de vista, precisam ser problematizadas como, por exemplo, afirmar que Donald Trump retomou a Doutrina Monroe (política do Big Stick). Visto que deixam escapar profundas mudanças ocorridas na base material da sociedade capitalista. Estas mudanças passam despercebidas devido nossa compreensível paixão pela conjuntura e nosso olhar dirigido pelo retrovisor da história. Trata-se de identificar as ações de Donald Trump, (Putin, Xi Jinping, Netaniahu et all.) com as do velho imperialismo que provocou as duas grandes guerras mundiais. Bem como identificar a defesa da democracia como o método para resistir a estas ações de pilhagem.
Em nossa opinião, desde sua eleição novamente como presidente dos EUA, Trump vem apoiando grandes capitalistas, colocando-se como defensor dos interesses de suas empresas transnacionais, sendo o próprio Trump proprietário de uma grande empresa transnacional. O presidente dos Estados Unidos desde sua campanha vem utilizando a máscara do Capital Nacional, MAGA (Make America Great Again) é o slogan que camufla os verdadeiros interesses das grandes corporações Transnacionais (Facebook, Amazon, Google, Tesla/X etc.) representadas por seu governo.
Esta é uma das profundas mudanças que estão ocorrendo que não podem ser captadas pela nossa consciência ordinária: Estamos num período nos quais os Estados Nacionais estão transitando para Estados do Capital[1]. Vejamos: A transnacional (Meta) Facebook, por exemplo, tem como proprietários Mark Zuckerberg (EUA) e Eduardo Saverin (Brasil). O TikTok é propriedade da Bytedance que tem como acionistas seu fundador Zhang Yiming (China), Sequoia Capital (California, EUA), SoftBank Group Corp. (Japão) etc.
A Trump Organization tem o caráter oposto ao vendido por Trump (de capitalista nacional), sua face real é de capitalista transnacional; dois novos empreendimentos comerciais serão construídos na Índia e Arábia Saudita. Existem hotéis de sua empresa em diversos países como, Escócia, Irlanda, Omã, Emirados Árabes Unidos, além de mais dois que estão em construção no Vietnã e nas Maldivas. A transnacional possui Imóveis Residenciais de luxo no Uruguai, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Indonésia, Turquia, Coréia do Sul, Filipinas e em breve no Vietnã. E também sob a propriedade de sua empresa há campos de golfe na Indonésia, Omã, Emirados Árabes Unidos, Escócia, Irlanda etc. Seguindo na esteira de seus negócios em 2025 Trump divulgou em sua rede social um vídeo gerado por IA com a legenda “Gaza 2025”, [2]onde Gaza é transformada em uma faixa de resorts, demonstrando assim o seu apetite como personificação do capital de acumular cada vez mais explorando o proletariado mundial.
A necessidade de quebrar o monopólio da compra e venda de força de trabalho, necessidade do processo de valorização e acumulação ampliada de Capital, levou as burguesias capitalistas nacionais a duas grandes guerras mundiais (1914-1918/1939-1945). Porém, em nossos dias, a Mercadoria força de trabalho é vendida e comprada livremente em todos os cantos do planeta. Os capitalistas (Capital) não precisam mais respeitar a nacionalidade do proletariado, seus olhos captam apenas uma coisa, a aquisição de mais-valia por meio da exploração do proletariado mundial.
Sendo assim, os Presidentes dos Estados do Capital expressam mais os interesses de grupos de empresas transnacionais do que os interesses da nação, ou seja, das empresas nacionais, do capital nacional. As transnacionais vistas como estadunidenses atuam em todos os países, tem acesso aos territórios sob controle do Estado do Capital onde foram fundadas e em qualquer país, território de todo planeta. Na Venezuela não é diferente, a Estatal PDVSA opera em parceria com transnacionais como a Chevron e a Estatal PetroChina que embora em porcentagem minoritária tem como acionistas as transnacionais BlackRock (EUA), The Vanguard Group (EUA), JP Morgan (EUA) e o Banco Central da Noruega Norges Bank etc. O que em nossa opinião nos permite afirmar que tanto Nicolás Maduro quanto Trump expressam interesses de grandes transnacionais em disputa no mercado mundial.
O abominável sequestro de Maduro orquestrado pelo Estado do Capital nos Estados Unidos acontece devido a disputa entre os grandes capitais transnacionais individuais e tem por meta favorecer as empresas, os capitalistas que se utilizam do Estado para satisfazer suas necessidades de acumulação ampliada de Capital.
A História novamente vem com farsas e tragédias. Os democratas das mais diversas matizes afirmando aos quatro cantos que a democracia não existe na Venezuela, nem nos Estados Unidos, acreditando que a democracia, “essa santa no altar” é a panaceia mundial, solução para todos os males da humanidade. Nunca se lembram que quando necessário aos seus interesses o Capital (historicamente) desrespeita as regras do seu próprio jogo democrático, joga o tabuleiro para o alto com todas as peças e reinicia tudo novamente de acordo com seu interesse. As personificações do Capital vão continuar a lucrar com o jogo da exploração na Venezuela, nos EUA, no Japão, na Noruega, não existe freio a exploração do proletariado de norte a sul, de leste a oeste na era de transição ao Capital Transnacional.
E ainda assim os defensores da “verdadeira” democracia nunca se preparam para a guerra, bajulam seu adversário (o senhor capital) e rezam para que pelo amor dos deuses, as regras sejam sempre respeitadas, faz parte de seu ser a defesa democrática da ordem do Capital. Portanto, em nossa opinião, as categorias Imperialismo e Estado Nacional, devem ser substituídas pelas categorias Capitalismo e Estado do Capital. A inoculada palavra de ordem: Abaixo o imperialismo ianque (Estadunidense) deve dar lugar a boa e velha palavra de Ordem: Abaixo o Capitalismo de todas as nações. Já passou da hora dos emancipacionistas trocarem a defesa intransigente da Democracia, pela defesa incondicional do Estado Proletário Mundial (Da Democracia Proletária mundial).

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