O crescimento econômico e a queda do desemprego enchem de orgulho os governantes. O cardápio de medidas que proporcionou estes resultados costuma ser apresentado como o melhor possível numa realidade onde ministros, secretários e assessores atuam como cozinheiros dedicados à preparação de pratos novos e saborosos.
Contudo, um olhar atento à lista de ingredientes mostra que, diante de interesses e demandas de grupos sociais tão diferentes, há sempre algo muito indigesto. Os problemas desta presença amarelam os sorrisos confiantes das equipes governamentais e mostram sua incapacidade de retirar do cardápio os componentes mais problemáticos.
Longe de negar os esforços governamentais e a veracidade das estatísticas, as reflexões que seguem buscam mostrar parte dos elementos indigestos que sustentam os bons números da economia. Faremos isso comparando os dados de várias pesquisas e mostrando as tendências que seus números projetam para o futuro. O seu esforço de acompanhar os raciocínios e as conclusões às quais chegaremos será compensado pelo aprimoramento de um olhar crítico, desses que, além de ler o nome do prato, se preocupa em identificar os ingredientes que entraram na sua preparação.
1. Os grandes números da economia...e o seu avesso.
O Brasil encerrou o ano de 2025 com um crescimento acima do esperado, uma tendência à diminuição dos níveis de pobreza, recordes na geração de empregos, um aumento real significativo do salário médio nacional e um resultado invejável do comércio exterior. Pode não ser uma maravilha, mas os avanços conseguidos deveriam ampliar a satisfação das pessoas em relação ao presente e a sua confiança diante do futuro, algo que não encontra respaldo nas pesquisas de opinião realizadas em 2026. O que explica este gosto amargo na boca de um contingente expressivo da população? É o que veremos a seguir.
Vamos começar pela balança comercial. O orgulho de ter alcançado o terceiro maior superávit da série histórica mostra a capacidade de reação do país às adversidades de um mercado internacional atormentado pelas tarifas alfandegárias impostas às importações dos EUA. O superávit de 68 bilhões e 300 milhões de dólares foi alcançado graças a um aumento de 3,9% das exportações brasileiras, na comparação com 2024, e apesar de uma alta de 7,1% das importações.[1] Neste processo, alguns setores da economia, como o calçadista, não conseguiram se refazer do impacto negativo provocado pelas tarifas de Donald Trump; outros, como o de carnes e derivados, driblaram estas barreiras com sobras; e há outros ainda, como o de exportação de café, que venderam menos e lucraram bem mais.
Este último caso chama a nossa atenção por dois motivos. O primeiro deles é que, graças à forte valorização do preço internacional da saca, os cafeicultores aumentaram em 24,1% suas receitas com as vendas externas apesar de exportarem 20,8% a menos em relação a 2024.[2] O segundo, é que apesar desta queda, o café comercializado no território nacional foi o item da cesta básica que mais aumentou com uma alta de 5,8%.
Basta isso para visualizarmos os efeitos negativos de priorizar as exportações e adotar os preços internacionais como base para as vendas no mercado interno. Apesar de o Brasil ser o maior produtor mundial de café, a sua população viu o produto vendido nos supermercados sofrer um aumento de 116,0% nos últimos cinco anos.[3] Para conhecer os efeitos desta alta nos sentimentos da população é só entrar na fila do supermercado e ouvir as conversas do povo...algo que a grande maioria da própria esquerda deixou de fazer a partir do momento em que adotou as leis de mercado como bússola da sua ação.
Quanto mais avançamos na tarefa de fuçar na realidade, mais percebemos que o agronegócio tende a encarecer o que vai para as nossas mesas. Maior produtor de soja do Brasil, o estado de Mato Grosso, por exemplo, enfrenta uma escassez estrutural de frutas, verduras e legumes. Na cidade de Sinop, a demanda de terras para a produção de grãos destinados à exportação e os efeitos nocivos dos agrotóxicos no meio ambiente se uniram aos problemas climáticos para produzir uma situação preocupante: 95,0% do abastecimento de hortifrúti dependem da importação de outras regiões, o que leva os moradores locais a pagarem caro por produtos corriqueiros.[4] Enquanto o agro festeja os lucros das exportações, a população precisa retirar uma fatia adicional da sua renda para comer.
Do comércio exterior, passamos agora à criação de empregos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2025, a taxa média de desemprego ficou em 5,6%, a menor da série histórica iniciada em 2012. Ao comparar os dados com os de 2024, percebemos que os empregos com carteira assinada atingiram o recorde de 38 milhões e 900 mil vagas; o contingente de empregados sem carteira assinada caiu 0,8% em relação a 2024; enquanto o rendimento médio habitual dos ocupados cresceu 5,7% acima da inflação, sempre na comparação entre 2025 e o ano anterior.[5]
Procurar o que há de errado num cenário como este parece tão absurdo quanto tentar encontrar chifres na cabeça de um cavalo. Contudo, quando a nossa reflexão incorpora outros elementos, percebemos que há aspectos gritantes se escondendo nas dobras da economia de mercado. O primeiro alerta guarda uma relação direta com os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) referentes aos resultados de 21.510 campanhas salariais tabulados pela entidade ao longo de 2025.
Este levantamento mostra que os aumentos reais de salário conseguidos pelos sindicatos registraram uma média de 0,87% acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), abaixo, portanto, do 1,70% de 2023 e do 1,25% de 2024. [6] Este panorama mais próximo do que aconteceu com a base da renda real dos assalariados representados pelos sindicatos do país ganha tons ainda mais sérios quando levamos em consideração o fato de o INPC ter encerrado o ano de 2025 com uma alta acumulada de 3,90%, abaixo, portanto, dos 4,26% da inflação oficial.
O fato de o aumento médio real de dezenas de milhões de assalariados com um contrato formal ter ficado em torno de meio ponto percentual levanta a dúvida de que a diferença com o resultado apurado pelo IBGE não guarda uma relação direta apenas com os critérios utilizados na elaboração das estatísticas. Conhecendo o empresariado brasileiro, também seria ingênuo apostar numa atitude mais benevolente em termos de remuneração da parte dos ordenados vinculada às metas e às horas extras. Logo, a explicação desta diferença não pode deixar de incorporar como elemento-chave a exploração mais prolongada e intensa da força de trabalho, algo que mostraremos nas próximas páginas.
O segundo alerta ganha forma a partir da renda do trabalho apurada pelo Censo de 2022 e à sua comparação com os dados coletados em 2010. O quadro que segue oferece uma imagem comparativa da porcentagem da população em cada faixa de renda:
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Faixas de renda |
Censo de 2010 |
Censo de 2022 |
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Sem rendimentos |
2,4% |
1,0% |
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Até ¼ de salário mínimo |
3,1% |
3,9% |
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Mais de ¼ a ½ salário mínimo |
5,3% |
6,3% |
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Mais de ½ a 1 salário mínimo |
25,6% |
24,2% |
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Mais de 1 a 2 salários mínimos |
34,2% |
32,7% |
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Mais de 2 a 3 salários mínimos |
11,1% |
14,2% |
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Mais de 3 a 5 salários mínimos |
8,7% |
10,1% |
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Mais de 5 a 10 salários mínimos |
6,4% |
5,1% |
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Mais de 10 salários mínimos |
3,2% |
2,6% |
Fonte: IBGE[7]
Os números apresentados trazem boas e más notícias. As boas começam com a redução para menos da metade do contingente de pessoas ocupadas que não têm rendimento; passam pelo aumento em três pontos percentuais dos que recebem de 2 a 3 salários mínimo e se encerram com alta de 1,4 pontos percentuais do grupo de trabalhadores e trabalhadoras da faixa seguinte. Apesar deste avanço, é importante lembrar que de acordo com o DIEESE, o salário necessário para que a família média brasileira tenha uma renda suficiente para assegurar as condições de vida que a Constituição aponta como dignas, flutua entre 4,5 e 5 salários mínimos. Logo, pelos dados de 2022, podemos apenas comemorar o fato de que, na faixa entre 3 e 5 salários mínimos, talvez 1 em cada 100 ocupados a mais tenha saído do sufoco.
As más notícias estreiam com um aumento de 1,8 pontos percentual entre quem ganha até um quarto e deste patamar até meio salário mínimo, sinal de que a precarização seguiu aumentando na base da pirâmide. Uma realidade que se confirma quando, ao somar todas as faixas de renda até um salário mínimo, temos uma alta de quase meio ponto percentual na comparação entre os 34,0% de 2010 e os 34,4% de 2022.
Do mesmo modo, percebemos que a quantidade de pessoas que recebe entre 1 e 2 salários mínimo passou de 34,2% no Censo de 2010 para 32,7% no levantamento realizado doze anos depois. Parte da diferença de 1,5 pontos percentuais pode ter passado para a faixa anterior e para a seguinte. Contudo, de zero a 2 salários mínimos, temos que 68 em cada 100 ocupados passavam por uma dose diferenciada de perrengues para chegar ao fim do mês, apenas 2,5% a menos em relação a 2010.
Último, mas não menos importante, é o fato de que, em 2022, os dados mostram uma queda de 1,9 pontos percentuais nos que são considerados “bons empregos” por pagarem acima de 5 salários mínimos. E, aqui, salta aos olhos o fato de que o contingente representado por esta diferença passou para a faixa de renda anterior, o que implica num achatamento dos ganhos e, de consequência, do padrão de vida.
Nesta altura, surge uma pergunta bem simples: por que isso ocorreu?
A resposta está nos investimentos em capital fixo e na quantidade de empresas que investiram na inovação de seus produtos e dos processos de negócios.
Antes de adentrarmos nas porcentagens do PIB investidas em máquinas e infraestrutura, precisamos lembrar que, para muitos economistas, a modernização capaz de colocar o Brasil em condições de enfrentar a competitividade internacional e gerar um número maior de bons empregos demandaria recursos anuais entre 23,0% e 25,0% do seu PIB.
De acordo com o IBGE, em 2010, a taxa de investimento em capital fixo foi de 20,5% do PIB. Em 2013, atingiu o ponto mais alto dos últimos 15 anos com a marca de 20,9%. Nos quatro anos seguintes, a taxa foi caindo progressivamente até os 14,6%, apurados em 2017. A subida deste fundo do poço foi lenta e com alguns sobressaltos. As contas nacionais de 2022, ano em que foi realizado o Censo, mostraram que ela havia atingido 17,8% do PIB. A diferença de 2,7 pontos percentuais na taxa de investimentos em relação a 2010 é uma peça-chave na explicação da queda de 2,5 pontos percentuais nas vagas cuja remuneração está acima dos 5 salários mínimos. Sabendo que, em 2025, a taxa de investimento fechou em 16,8% do PIB[8], não seria de estranhar que os bons empregos tivessem encolhido ainda mais. Esta suspeita é alimentada também por um elemento importante na compreensão do engajamento empresarial nos processos de inovação. Ainda de acordo com o IBGE a porcentagem de empresas que introduziu alguma inovação nos produtos e na forma em que realizava seus negócios caiu de 70,5%, em 2021, para 64,4%, em 2024 (último dado disponível), o menor patamar da série histórica.[9] Logo, como esperar bons empregos se o processo de inovação vem perdendo impulso?
A primeira consequência deste processo está na crescente dificuldade de as pessoas com graduação e especializações universitárias encontrarem vagas correspondentes aos títulos de estudo conseguidos, uma situação que força a aceitar ocupações de menor remuneração. A frustração amargada após anos de sacrifícios semeia doses generosas de descontentamento nos principais centros do país e, ao que tudo indica, não há sinais para que diminua nos próximos anos.[10]
Bom...mas...se os empresários investem abaixo do necessário, como fazem para garantir os lucros almejados? É o que veremos a seguir.
2. Se não há mágica...qual é o truque?
Na economia real, nada aparece num passe de mágica ou por um milagre divino. Por isso, a busca de respostas deve sempre identificar as pegadas deixadas pelo capital em seu caminhar pelo país. Pegadas nas quais encontramos leis e decretos que favorecem a acumulação a custo zero para os patrões, ações criminosas contra a arrecadação pública, mortes e adoecimentos de trabalhadores e trabalhadoras que atuam num ambiente pensado para maximizar os lucros e não a proteção de suas vidas.
A resposta à pergunta que encerrava a parte anterior percorre dois caminhos paralelos. O primeiro deles deita raízes na isenção e redução de tributos, nos descontos obtidos quando do acerto das dívidas com o Estado, na obtenção de créditos a juros subsidiados pelo governo, na sonegação e no não pagamento dos valores devidos.[11]
Para você ter uma ideia do montante que não é arrecadado em função da renúncia fiscal, basta pensar que, segundo a receita federal, em 2021, este dinheiro representava 5,26% do PIB; subiu a 5,98% no ano seguinte; e encerrou 2023 em 5,96%.[12] Em 2024, esta porcentagem caiu a 5,78% do PIB[13] e, caso sejam confirmadas as projeções às quais tivemos acesso, em 2025, deve ter alcançado os 6,3% do PIB (cerca de 800 bilhões de reais).[14] Em relação a 2026, a estimativa da Associação dos Auditores Fiscais da Receita do Brasil aponta a possibilidade de as renúncias somarem 903 bilhões e 300 milhões de reais, dos quais 618 bilhões e 400 milhões de reais (um valor que corresponde a quase quatro vezes o orçamento do programa Bolsa Família) não têm nenhuma contrapartida comprovada para a sociedade.[15]
A estas quantias reguladas pela legislação, devemos acrescentar os montantes da sonegação fiscal e das dívidas dos empresários com o Estado. No caso da sonegação, obviamente, só é possível oferecer uma estimativa. De acordo com os cálculos do Sindicato dos Profissionais da Fazenda (SINPROFAZ), os empresários de todos os setores da economia sonegam o equivalente a 23% da arrecadação anual,[16] algo que, no ano passado, pode ter atingido os 664 bilhões de reais.[17] Se isso não bastasse, no final de 2025, o não pagamento dos valores devidos ao governo federal em anos de calote dos empresários acumulou um montante superior aos 2 trilhões e 886 bilhões de reais arrecadados pela Receita Federal...e isso porque os auditores fiscais recuperaram para os cofres públicos uma fatia de 68 bilhões e 100 milhões de reais do montante da dívida ativa.[18] Em todos estes casos, o peso da ação empresarial cai nas costas da população na exata medida em que faltam recursos para o social e os déficits nas contas públicas elevam a dívida interna, exigem cada vez mais dinheiro para o pagamento dos juros e pressionam a inflação.
A segunda forma de proporcionar certo patamar de competitividade e os lucros desejados guarda uma relação direta com a dilapidação da força de trabalho. Trata-se de um processo cujos contornos são delineados tanto pelas denúncias do trabalho escravo e infantil, como pela ocorrência de acidentes e afastamentos por adoecimento no exercício da profissão. Em todos estes casos, as estatísticas mostram que, entre 2021 e 2025, houve uma piora significativa dos indicadores.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, as denuncias de trabalho análogo à escravidão passaram de 1.918, em 2021, para 4.515 no ano passado, um aumento de 135,4%. Se você acha que estamos falando de casos ocorridos em algum dos longínquos grotões do Brasil, pois está redondamente enganado. Ao centrar as atenções no ano de 2025, percebemos que o estado de São Paulo lidera com folga o ranking nacional com 1.129 denúncias. Minas Gerais vem em segundo lugar, com 679, e o Rio de Janeiro é medalha de bronze com 364 denúncias.[19] No mesmo período, 68 em cada 100 trabalhadores foram resgatados destas condições nas áreas urbanas numa quantidade de fiscalizações bem inferior ao volume de denúncias: foram apenas 215 ações em São Paulo, 145 em Minas Gerais e 123 no Rio de Janeiro, só para citar os estados que estavam no topo da lista.[20]
Quando comparamos o número de denúncias às fiscalizações realizadas percebemos que, de um lado, o aumento das primeiras revela a existência de um contingente crescente de trabalhadores pedindo socorro. De outro, o grupo de fiscais voltados à apuração deste crime passa longe de conseguir dar conta do recado pelo fato de seu contingente ser menos da metade do recomendado pela Organização Internacional do Trabalho a países com características semelhantes às nossas.
Novos problemas aparecem quando focamos as atenções nas 4321 pessoas que foram presas pelo envolvimento nestas formas de contratação entre 2000 e 2025. Deste total, 1.578 foram absolvidas (37,0%) e somente 191 (4,0%) pagaram por todos os crimes apurados nas fiscalizações. Sendo assim, acreditamos não estar cometendo nenhum equívoco ao afirmar que manter pessoas em regime de trabalho análogo à escravidão é um crime que compensa e que, se nada mudar, a estimativa da organização internacional Walk Free pela qual o Brasil teria um milhão de pessoas submetidas a esta condição extremamente degradante tende a aumentar no próximo período.[21]
O panorama do trabalho infantil é igualmente desolador. Entre 2021 e 2025, o número de denúncias recebidas pelo Ministério Público do Trabalho mais que dobrou, ao saltar de 3.354 para 7.966. Na avaliação por Estado, São Paulo ganha disparado dos demais ao pular de 716, em 2021, para 2.124 no ano passado, um crescimento de 296,6%. A medalha de prata vai, novamente, para Minas Gerais, com 918 denúncias. O terceiro, quarto e quinto lugar de 2025 são ocupados, respectivamente, por Paraná (com 529), Rio Grande do Sul (com 426) e Santa Catarina (com 392 denúncias).
A dimensão deste problema no território nacional foi revelada pelo IBGE nos dados de 2024 que apontavam a existência de um milhão e 600 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, dos quais 560 mil estariam nas piores atividades. Para termos uma ideia da distância entre o número de vítimas e a quantidades de resgates efetuados, basta pensar que, no mesmo ano, o Estado conseguiu chegar a apenas 0,2% delas.[22]
Ninguém duvida da existência de falhas na capacidade de intervenção do Estado; de que denúncias com dados incompletos dificultam as apurações; de que as administrações públicas destinam bem pouco dinheiro para erradicar o trabalho infantil; de que o racismo estrutural[1] e a naturalização social deste trabalho têm um papel de primeira ordem na aceitação desta praga; mas é igualmente inegável que a pobreza e a insegurança alimentar fazem com que inúmeras famílias dependam da renda gerada por crianças e adolescentes para sobreviver.
Ainda no terreno da dilapidação da força de trabalho, mais sinais alarmantes vêm do forte crescimento do número de acidentes de trabalho e de afastamentos prolongados registrados pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A partir de 2022, os registros do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) têm apontado um aumento sistemático das ocorrências que vitimam trabalhadores nos locais de trabalho. O quadro que segue mostra a alta percentual de um ano para outro:
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Período |
Taxa de crescimento das ocorrências |
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Entre 2021 e 2022 |
12,63% |
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Entre 2022 e 2023 |
11,91% |
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Entre 2023 e 2024 |
11,16% |
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Entre janeiro e junho de 2024 e o mesmo período de 2025 |
8,98% |
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego[23]
Para que você possa ter uma ideia da realidade retratada pelas porcentagens, vamos considerar os dados do primeiro semestre de 2025. Entre janeiro e junho, foram registradas 377.384 notificações de acidentes de trabalho e a morte de 1.673 empregados. A contas feitas, são 2.085 ocorrências por dia, uma morte a cada 3 horas, sendo que 62 de cada 100 acidentados foram afastados de suas funções por até 15 dias e outros 12 precisaram de um tempo maior para se recuperar.[24] Apesar de a subnotificação das ocorrências, da falta de padronização dos procedimentos de extração de dados e da ausência de um sistema de registro unificado impedir a mensuração da quantidade real dos acidentes de trabalho, os números existentes provam a deterioração das condições de trabalho.
Os benefícios de incapacidade temporária superior a 15 dias retratados nas estatísticas do INSS mostram a evolução desta carnificina num contingente de empregados formais que representa cerca de 45 em cada 100 ocupados. Pelos números divulgados, o total de afastamentos entre 2021 e 2025 mais que dobrou ao passar de 1.983.421 para 4.126.112. Do total registrado no ano passado, 546.254 tiveram como causa os transtornos mentais de trabalhadores e trabalhadoras em mais de 2.000 profissões, um aumento de 194,1% em relação aos 185.708 de 2021.
A piora progressiva das pressões do trabalho no mesmo período de tempo é confirmada também pela quantidade de novos processos por assédio moral na justiça trabalhista e pelas denúncias recebidas. Os novos processos passaram de 84.196, em 2021 para 142.814 no ano passado (69,6% a mais); as denúncias por assédio junto ao Ministério Público do Trabalho pularam de 4.776, em 2021, para 18.207, em 2025, (alta de 281,2%); e no Disque 100 passaram de 299 para 2.757 (alta de 822,1%) nos mesmos cinco anos. [25]
Se isso não espelha o lucrar “arrancando o couro do peão”...eu não sei que outra definição sintetiza melhor o cenário retratado pelos números apresentados.
3. A economia doméstica diante da inflação oficial.
É fato que a percepção da perda de poder de compra dos salários não guarda uma relação direta somente com os índices oficiais que medem a elevação média dos preços de mercado. A rigor, a sensação de que o dinheiro que entra aumentou, mas com ele é possível comprar menos do que no passado depende tanto da quantidade e da variedade dos itens consumidos, como de uma série de outros fatores com peso diferenciado em cada núcleo familiar. Alguns exemplos ajudam a visualizar aumentos a partir dos quais as pessoas precisam retirar mensalmente uma fatia maior de sua renda.
De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar, em 2025, o reajuste médio dos planos de saúde ficou em 11,15%, uma alta que corresponde a mais que o dobro da inflação apurada.[26] Na seara das mensalidades escolares, estes aumentos chegaram a 9,8% quando consideramos todos os níveis do ensino privado.[27]
Quem paga o aluguel também passou longe de ter algum refresco. A mordida média na renda do trabalho teve um aumento de 9,44%, 5,18 pontos percentuais acima da inflação oficial.[28] Comprar um imóvel novo também não foi nada fácil. Na cidade de São Paulo, por exemplo, apesar de os lançamentos de 2025 crescerem 34,0% em relação a 2024 e de 64,0% do total das 113.000 unidades comercializadas serem do programa Minha Casa Minha Vida, o aumento médio dos preços à vista fechou o mês de dezembro em 15,3%.[29]
Mas há também um tipo de impacto no orçamento doméstico que os cálculos oficiais não incorporam. Estamos nos referindo, por exemplo, ao desgaste financeiro provocado pelo atraso na concessão de um benefício previdenciário. Em 1º de janeiro de 2025, a fila de espera do INSS estava em 2 milhões e 40 mil pessoas e encerrou 31 de dezembro em 3 milhões e 38 mil, uma alta de 48,9%.[30] Sim eu sei que estamos falando de uma pequena parcela da população, mas, se somar isso aos fatores já citados e ao fato de a situação de cada membro da fila gerar reflexos em um número semelhante de famílias, perceberá que o descontentamento deste “pouco” tem uma caixa de ressonância considerável.
A pegada desta realidade nas contas nacionais foi captada pelo IBGE nos cálculos do PIB pela ótica da demanda.[31] Ao tratar do consumo das famílias, o Instituto apontou um crescimento de apenas 1,3% em relação ao ano anterior, quando o mesmo indicador havia registrado uma elevação de 5,1% ante 2023. O peso da taxa SELIC mais elevada (14,3%, na média anual do ano passado, ante 10,9% em 2024) foi apontado como um dos elementos pelos quais o consumo das famílias cresceu apenas 0,7% no primeiro trimestre de 2025 e 0,5% no segundo; sendo que, entre julho e setembro, encolheu 0,1% e ficou no mesmo patamar entre outubro e dezembro.[32]
Contudo, à exceção de cerca de 80,0% dos contratos de financiamento habitacional que, pelas regras vigentes, não podem ter uma taxa de juros acima dos 12,0% anuais,[33] todas as demais formas de crédito conheceram taxas bem superiores à SELIC. Em dezembro do ano passado, o Banco Central do Brasil apontou que a média anual da taxa de juros para pessoa física havia sido de 60,1%, 7 pontos percentuais acima da apurada em 2024.[34] No mesmo mês, o levantamento da Confederação Nacional do Comércio mostrou que o impacto do custo de vida e dos juros no orçamento doméstico fez com que 2025 encerrasse com 78,9% das famílias endividadas, 2,3 pontos percentuais acima do apurado um ano antes.[35]
Acreditamos que os dados apresentados explicam por que a maioria da população não sentiu nenhuma melhora na economia e pouca diferença fez o valor a mais que entrou na conta graças à isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000.[36] Neste cenário, não podemos estranhar que 61 em cada 100 trabalhadores afirmem querer mudar de emprego na esperança de ganhar mais pelo suor derramado nas tarefas diárias.[37]
Mas isso não é tudo. Sabemos que o fato de a renda do trabalho dar conta do consumo familiar tem grande impacto nas decisões de voto dos eleitores. E aqui, erra quem acredita que as pessoas se referem apenas à possibilidade de satisfazer suas necessidades básicas. Em toda a pirâmide social, comprar não é apenas uma forma de garantir os meios para a sobrevivência física, mas, também de ganhar certa visibilidade social. Bens como carros, aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos mostram a familiares, vizinhos e conhecidos o “sucesso” alcançado e, em geral, marcam o ponto de partida do esforço para alcançar novos patamares.
À medida que o padrão de consumo eleva a visibilidade do indivíduo e molda a sua identidade, as condições que o obrigam a permanecer no mesmo nível ou ameaçam fazê-lo regredir em função dos juros das dívidas, da precarização das relações de trabalho ou de ações criminosas alimentam o medo e a busca de proteção. Uma proteção cuja origem não está na preocupação de um indivíduo cuidar do outro a fim de fortalecer os laços da luta coletiva para eliminar as engrenagens que alimentam a exploração do trabalho e a marginalização, mas que visa o endurecimento das formas de coerção com as quais acreditam poder proteger o patrimônio individual. Nada garante que matar bandidos dê os resultados almejados, mas a sensação de que o mal está tendo o tratamento que merece ajuda a controlar as angústias e renova as esperanças de tempos mais promissores.
Neste sentido, diminuir a pobreza, vencer a fome, garantir um botijão de gás, depositar um valor mensal para que os estudantes das famílias necessitadas possam continuar na escola ou qualquer outro programa social destinado a quem está na base da pirâmide pode ser importante para o governo, mas é bem menos significativo para uma sociedade que aposta no “eu consumidor” como caminho da afirmação social. Desta forma, entre os remendos ao esgarçamento das relações interpessoais causado pela pobreza e a ausência de uma reflexão sobre as causas estruturais da marginalização como explicação para os aspectos indigestos do país, a melhora do consumo passa a ocupar o centro das preocupações da própria classe trabalhadora e da quase totalidade das direções dos movimentos que dizem representa-la.
Dormir com um barulho desses é difícil. Ver a direita crescer surfando no descontentamento popular provocado pelos mecanismos de exploração dos grupos de poder por ela representados devora parte do pouco sono que restava. Mas ver que a importância de destruir estes mesmos mecanismos é coberta por uma camada de chumbo cuja espessura aumenta com o auxílio de quem deveria centrar seus esforços em removê-la transforma a insônia em companheira de todas as horas.
Emilio Gennari, Brasil, 22 de março de 2026.
[1] Maiores detalhes podem ser encontrados em:
Acessos realizados em 01/02/2026.
[2] Em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/01/19/atingido-por-tarifaco-brasil-exporta-menos-cafe-em-volume-mas-alcanca-receita-recorde-em-2025.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias Acesso realizado em 20/01/2026.
[3] Em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/01/30/cafe-tem-maior-alta-da-cesta-basica-em-2025-e-preco-deve-manter-patamar-atual-diz-industria.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias
Acesso realizado em 31/01/2026.
[4] Em: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2025/11/25/maior-produtor-de-soja-do-pais-mato-grosso-enfrenta-falta-de-frutas-verduras-e-legumes.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias Acesso realizado em 01/12/2025.
[5] Em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45761-desocupacao-cai-para-5-1-em-dezembro-e-2025-tem-melhores-resultados-da-serie-historica Acesso realizado em 31/01/2026.
[6] Em: https://www.dieese.org.br/boletimnegociacao/2026/boletimnegociacao64.html Acesso realizado em 19/03/2026.
[7] Transformamos em quadro os dados que constam do gráfico 7 referente à distribuição das pessoas ocupadas de 14 anos ou mais de idade, segundo as classes de rendimento de acordo com o censo de 2010 e de 2022. Em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/53fde9c24f6d8df3108c83f6378e018f.pdf
Acesso realizado em 09/03/2026.
[8] A evolução da taxa de investimento entre 2000 e 2025, consta do Gráfico III.1, divulgado pelo IBGE em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/0038750a1c5c36ff2ffe025f1ee4c6cc.pdf
Acesso realizado em 07/03/2025.
[9] Em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/46120-em-2024-taxa-de-inovacao-da-industria-cai-pelo-terceiro-ano-consecutivo-e-atinge-o-menor-valor-da-serie Acesso realizado em 21/03/2026.
[10] Tratamos mais detalhadamente deste tema nas reflexões divulgadas em 23 de dezembro de 2024 sob o título Brasil: notas de uma reflexão necessária, disponível em: https://drive.google.com/drive/folders/1YoRRdUt1RVr31bNvhMPvIFt8pBwWYoJA?usp=sharing
[11] Tratamos deste assunto nas reflexões divulgadas sob os títulos: Renúncia fiscal, impostos e sonegação no Brasil e Um mergulho no mar dos impostos, disponíveis em: https://drive.google.com/drive/folders/1YoRRdUt1RVr31bNvhMPvIFt8pBwWYoJA?usp=sharing
[12] Em: https://sites.tcu.gov.br/fatos-fiscais/renuncia_fiscal.html Acesso realizado em 09/03/2026.
[13] Em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/subsidios-da-uniao-somaram-r-678-bilhoes-em-2024-diz-governo/ Acesso realizado em 09/03/2026.
[14] A estimativa foi obtida dividindo o valor do PIB em moeda corrente pelo índice apontado em outubro de 2025 pela matéria divulgada em: https://monitormercantil.com.br/isencoes-fiscais-no-brasil-ja-superam-r-804-bilhoes-por-ano-e-concentram-privilegios-em-poucas-empresas/ com PIB em valor de mercado divulgado pelo IBGE em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/45968-pib-cresce-2-3-em-2025-e-fecha-o-ano-em-r-12-7-trilhoes
Acessos realizados em 09/03/2026.
[15] Em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c208j03pe83o Acesso realizado em 09/03/2026.
[16] Em: https://sinprofaz.org.br/2024/noticias/sonegometro-fecha-ano-com-valor-superior-a-r-626-bilhoes/
Acesso realizado em: 15/03/2026.
[17] O cálculo foi feito com base na arrecadação de 2025 que somou 2 trilhões e 886 bilhões de reais. Valor publicado em: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/arrecadacao-de-receitas-federais-alcanca-r-2-886-trilhoes-em-2025 Acesso realizado em 15/03/2026.
[18] Em: https://ofator.com.br/informacao/divida-ativa-da-uniao-ultrapassa-r-29-trilhoes-mas-so-r-43-bilhoes-foram-recuperados-diz-tcu/ e em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/03/10/pgfn-recupera-r-681-bilhoes-em-dividas-em-2025-valor-recorde.ghtml Acessos realizados em 15/03/2026.
[19] Estas e outras informações sobre o tema podem ser encontradas em:
- https://www.bahianoticias.com.br/noticia/312428-brasil-bate-recorde-de-denuncias-de-trabalho-escravo-em-2025-bahia-e-4o-estado-com-mais-casos Acessos realizados em 07/03/2026.
[20] Em: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/01/28/brasil-tem-mais-de-27-mil-pessoas-resgatadas-de-trabalho-analogo-a-escravidao-em-2025.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias
Acesso realizado em 31/01/2026.
[21] Em: https://www.abi.org.br/brasil-bate-recorde-de-denuncias-de-trabalho-escravo/ Acesso realizado em 09/03/2026.
[22] Estes e outros dados sobre o mesmo tema foram divulgados em: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/02/10/brasil-registra-16-milhao-de-casos-de-trabalho-infantil.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias Acesso realizado em 13/02/2026.
[23] Em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2025/julho/ministerio-do-trabalho-e-emprego-identifica-aumento-de-acidentes-de-trabalho-no-brasil Acesso realizado em 15/03/2026.
[24] Os números apresentados foram calculados a partir das ocorrências por Estado divulgados em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2025/julho/ministerio-do-trabalho-e-emprego-identifica-aumento-de-acidentes-de-trabalho-no-brasil Acesso realizado em 15/03/2026.
[25] Estes e outros dados foram publicados em:
- https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/02/11/denuncias-e-processos-por-assedio-moral-no-trabalho-crescem-mais-de-20percent-em-2025-saiba-identificar-e-relatar.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias Acessos realizados em 13/02/2026.
[26] Em: https://futurodasaude.com.br/reajuste-medio-planos-de-saude/ Acesso realizado em 12/02/2026.
[27] Em: https://borainvestir.b3.com.br/noticias/reajuste-medio-de-mensalidade-escolar-deve-ser-de-98/#:~:text=A%20folha%20de%20pagamento%20%C3%A9,2024%20de%204%2C83%25. Acesso realizado em 12/02/2026.
[28] Em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/01/15/alugueis-subiram-acima-da-inflacao-em-quase-todo-o-pais-entenda-os-fatores.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias
Acesso realizado em 17/01/2026.
[29] Em: https://sindusconsp.com.br/lancamentos-crescem-34-em-2025-em-sao-paulo/ Acesso realizado em 12/02/2026.
[30] Estes e outros dados a respeito deste problema podem ser encontrados em:
Acessos realizados entre 20/10/2025 e 09/02/2026.
[31] Se tiver alguma dificuldade para entender as contas do PIB pela produção e pela demanda, sugerimos a leitura de O que escondem os números do PIB? Disponível em: https://drive.google.com/drive/folders/1YoRRdUt1RVr31bNvhMPvIFt8pBwWYoJA?usp=sharing
[32] https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/53fde9c24f6d8df3108c83f6378e018f.pdf
Acesso realizado em 09/03/2026.
[33] Em: https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/governo-anuncia-novo-modelo-de-credito-imobiliario#:~:text=Para%20isso%2C%2080%25%20dos%20financiamentos,juros%20a%2012%25%20ao%20ano.
Acesso realizado em 12/03/2026.
[34] Em: https://www.bcb.gov.br/estatisticas/notaseconomicofinanceiras Acesso realizado em 29/01/2026.
[35] Em: https://portaldocomercio.org.br/acoes-institucionais/brasileiro-encerra-2025-mais-endividado-do-que-em-2024/#:~:text=O%20n%C3%ADvel%20de%20endividamento%20de,Servi%C3%A7os%20e%20Turismo%20(CNC).
Acesso realizado em 15/01/2026.
[36] Os dados da pesquisa Quaest sobre o assunto foram divulgados no dia 12 de fevereiro em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/12/47percent-dos-brasileiros-dizem-que-sentiu-impacto-na-renda-apos-a-isencao-do-ir-para-quem-ganha-ate-r-5-mil-diz-quaest.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias
[1]Vamos deixar este princípio para problematizar numa outra oportunidade. Pois, o racismo é uma degradação humana combatida por todas as classes.

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