quarta-feira, 2 de agosto de 2017
O Pulso ainda Pulsa 6: Depressão e Teoria da Conspiração.
Eles parecem meio pirados, veem lado oculto em tudo, parecem identificar conspiração até na água
doce que a mãe da gente preparava para nos acalmar depois de um grande susto. Porém, este vídeo
que fizeram sobre o uso indiscriminado de remédios faz todo sentido.
A indústria farmacêutica, como vimos na série, o pulso ainda pulsa, não perde nenhuma
oportunidade de transformar o nosso adoecimento em lucro.
Assista com moderação e procure retirar lições para sua vida. Muitas vezes uma boa camihada, um a
boa conversa com os amigos, uma boa música, uma dança, são muito mais eficazes, do que a
fluoxetina ou o diazepan para dormir e se acalmar.
Porém, o NORTE, entende que o melhor remédio é o GRITO, junte-se aos seus amigos e grite junto
contra tudo que lhe adoece: do seu chefe ao sistema todo.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
O Pulso ainda Pulsa 5: Quando Trabalhar é Adoecer - Carne, Osso e Depressão.
Veja como Joesley e seus colegas do Agronegócio enriquecem as custas do adoecimento do
trabalhador. Aproveite e lembre-se da Indústria Farmacêutica e das redes privadas de saúde e
previdência, o sistema te adoece no trabalho te explorando e depois aumenta a riqueza com a sua
doença e ainda te culpa por isto. Veja o que acontece com os trabalhadores dos frigoríficos e da
indústria da carne.
RECEITA DO NORTE:
: 1. Informe-se.
2. A culpa nunca é sua
3. Sozinho não dá.
4. Junte-se aos que se sentem fracos como você e será uma grande força.
5. Comece a caminhar com amigos pelo menos 3 vezes por semana.
6 . Converse mais com seus colegas de trabalho e vizinhos.
7. Faça novos amigos sempre.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
O Pulso Ainda Pulsa 4: Quando trabalhar é Adoecer (Hepatopatia Crônica Tóxica) - o Lucro é que interessa (Agronegócio, Agrotóxico e Morte).
Agrotóxicos e doenças
Você que se escandalizou com as denúncias de Joesley
sobre a compra dos presidentes, governadores, deputados e senadores, veja como
A JBS, (Friboi), Brasil Foods e toda a indústria de carne e derivados e todo
agronegócio consegue dinheiro para esta “façanha”,
destruindo a natureza e provocando danos muito maiores a saúde dos indivíduos e a saúde pública. A indústria química
agradece. Saúde não tem pressa o lucro é que interessa.
Se nas indústrias, Bancos, supermercados, Escolas, hospitais,
Estradas, no mar e no ar, o sofrimento do trabalhador e seu adoecimento é
transformado em lucro para os donos das empresas, no agronegócio não é
diferente. Vejam os danos causados pelos agrotóxicos aos trabalhadores do campo.
Artigo relaciona morte de trabalhadores por agrotóxicos e sua
Subnotificação
por
Graça Portela & Raíza Tourinho
Ao analisar os
óbitos decorrentes de intoxicações ocupacionais por agrotóxicos, registrados
pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, a
pesquisadora do Icict e coordenadora do Sistema Nacional de Informações
Tóxico-Farmacológicas - Sinitox, Rosany Bochner, trouxe à tona um problema
grave de saúde pública: a subnotificação ou notificação irregular dos óbitos
causados por esses agravos, fato que acaba dificultando não só as pesquisas
como também as notificações judiciais contra as empresas produtoras de
agrotóxicos.
É interessante
notar que a intoxicação por agrotóxico não é considerada um agravo de
notificação compulsória no Brasil, embora seja considerada de interesse
nacional e notificada pelas unidades de saúde no Sinan (conforme Portaria nº
777/GM, 28/04/2014). O próprio Ministério da Saúde estima que a subnotificação
faz com que, para cada evento de intoxicação por agrotóxico notificado, há
outros 50 não notificados.
Segundo dados do
Sinitox, foram registrados, no período de 2007 a 2011, 26.385 casos de
intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola, 13.922 por agrotóxicos de uso
doméstico, 5.216 por produtos veterinários e 15.191 por raticidas. Os
agrotóxicos são o terceiro grupo responsável pelas intoxicações, com 11,8% dos
casos. Antecedido pelos medicamentos (28,3%) e animais peçonhentos (23,7%).
Os óbitos causados
por agrotóxicos de uso agrícola, de acordo com o estudo feito pela coordenadora
do Sinitox, atingiram 863 pessoas (39,4%), os de uso doméstico 29 casos
(1,3%), os produtos veterinários corresponderam a 22 ocorrências (1,0%) e os
raticidas por 138 óbitos (6,3%). Segundo levantamento feito por Rosany Bochner,
desses óbitos, apenas 14 (1,3%) foram registrados como ocupacionais.
Rosany Bochner
analisou 33 óbitos registrados no Brasil pelo SIM, no período de 2008 a 2012,
levantando variantes como perfil socioeconômico; ano de óbito, estado e local
do acidente, causas associadas aos óbitos decorrentes de intoxicações, dentre
outros pontos. Ela também cruzou os dados com as informações do Sistema de
Informação de Agravos de Notificação (SINAN)/MS e dados do próprio Sinitox.
O que é a exposição ocupacional a
agrotóxicos
A exposição
ocupacional a agrotóxicos atinge em especial agricultores, que podem ser
afetados pela manipulação direta ou por meio de armazenamento inadequado,
reaproveitamento de embalagens, roupas contaminadas ou contaminação da água.
Contudo, trabalhadores da agricultura e pecuária, de saúde pública, de firmas
desintetizadoras, de transporte e comércio dos agrotóxicos, de indústrias de
formulação de agrotóxicos são os principais profissionais sujeitos à exposição
ocupacional a agroquímicos.
Segundo o relatório
divulgado pelo Inca - Vigilância do Câncer relacionado ao Trabalho e ao
Ambiente -, a exposição aos agrotóxicos pode ocorrer “pelas vias digestiva,
respiratória, dérmica ou por contato ocular”, podendo determinar quadros de
intoxicação aguda (quando os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a
exposição excessiva e por curto período aos produtos tóxicos), subaguda (ocorre
por exposição moderada ou pequena a esses produtos, e tem surgimento mais
lento, com sintomas subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza,
mal-estar, dor de estômago e sonolência, dentre outros) e crônica (quando o
surgimento dos sintomas “é tardio, podendo levar meses ou anos, acarretando por
vezes danos irreversíveis, como distúrbios neurológicos e câncer”).
Subnotificação e evento sentinela
E é esse um dos
casos analisados pela coordenadora do Sinitox em seu artigo – o de VMS,
residente na comunidade de Cidade Alta, no município de Limoeiro do Norte, na
Chapada do Apodi - Ceará. Ele trabalhava para uma multinacional na função de
trabalhador agrícola, tendo sido transferido para o almoxarifado químico, onde
trabalhava como auxiliar no preparo da solução de agrotóxicos para borrifo na
lavoura de abacaxi. Mesmo utilizando equipamentos de proteção individual (EPI),
a partir de 2008 VMS passou a sentir fortes dores de cabeça, febre, falta de
apetite, olhos amarelados e inchaço no abdômen. Em agosto desse ano, houve
piora em seu quadro clínico, obrigando-o a afastar-se do serviço. Em novembro,
faleceu, aos 31 anos.
Se para alguns
estava clara a intoxicação por agrotóxicos, para a Justiça havia a necessidade
de se provar que de fato a intoxicação foi o que levou VMS a morte. As
evidências vieram dos estudos feitos pela pesquisadora e professora do
Departamento de Saúde Comunitária, da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal do Ceará (UFCE), Raquel Rigotto, que junto com a sua equipe
multidisciplinar, comprovou que todos os problemas de saúde do paciente foram
ocasionados pela exposição ocupacional aos agrotóxicos. Veja o vídeo abaixo.
Em 2013, a Justiça
reconheceu que a morte de VMS foi motivada “pelo ambiente ocupacional”, ou
seja, pelo trabalho com substâncias agrotóxicas. Para Rosany Bochner, “chama a
atenção o fato de que dentre as causas apresentadas [na certidão de óbito], os
agrotóxicos não foram sequer mencionados, implicando na fragilidade do SIM, em
subsidiar as análises dos impactos dos agrotóxicos na saúde humana”. Em seu
artigo, Rosany Bochner ressalta que “segundo o sistema, VMS seria mais uma
vítima do agronegócio, que morre sem deixar vestígios da relação causal entre a
exposição a agrotóxicos e o agravo à saúde”.
Paulo Borges,
coordenador do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde
(PPGICS/Icict), que pesquisa os sistemas de informações, analisa que o
preenchimento inadequado – o subregistro, ou seja, casos de doenças e/ou
óbitos que não são registrados é um dos principais problemas dos SIS
(Sistemas de Informações) e que isto “pode gerar informações subestimadas, não
condizentes com a realidade local”.
Borges também
alerta para outro fator preocupante que é o fato dos formulários/declarações
que alimentam os SIS não serem completamente preenchidos, deixando de fora
informações relevantes para a vigilância epidemiológica, o que se reflete
inclusive nas doenças ocupacionais: “A intencionalidade e a exposição
ocupacional relacionada aos óbitos e algumas doenças também costumam ser
subregistradas, pois nem sempre o profissional de saúde que preenche o
documento possui esta informação ou tem clareza sobre a importância da mesma
para as ações de prevenção de novas ocorrências”, afirma. Ele acredita que o
fato dos profissionais de saúde estarem muito envolvidos com a assistência aos
pacientes, não permite que eles observem a importância que o registro adequado
das informações tem para a vigilância e prevenção de novas ocorrências.
Para ele, uma das
formas de se reduzir o problema é a conscientização do profissional de saúde
sobre a necessidade do preenchimento correto: “É claro que as questões
tecnológicas relacionadas as interfaces, a usabilidade e a transmissão dos
dados podem ser melhoradas, mas creio que o mais importante é conscientizar os
profissionais de saúde sobre a importância destes sistemas para a saúde das
populações”, finaliza.
“Vítimas escondidas”
Ao fazer a
correlação entre as mortes registradas no SIM e a real causa desses óbitos,
Rosany Bochner traz à tona uma discussão que pode trazer impactos relevantes
não só para o Sistema Único de Saúde, como para a saúde do trabalhador: “Ao
lidar com óbitos decorrentes de intoxicações ocupacionais por agrotóxicos,
estamos na presença de eventos raros, dificilmente notificados, mas que aportam
uma enormidade de significados e sentidos, mantendo atrás de si diversas outras
vítimas de um sistema perverso”, afirma ela, em seu artigo.
Em sua busca por
“vítimas escondidas”, Rosany Bochner tenta mostrar que mais do que números,
esses óbitos representam pessoas que estão sendo expostas diariamente em seus
trabalhos com agrotóxicos. No lugar de VMS, por exemplo, é bem possível que
exista outro trabalhador, submetido a condições semelhantes que causaram a
morte do primeiro. Assim, o artigo propõe “utilizar cada um desses óbitos
descritos nesse trabalho como um evento sentinela, a fim de incentivar e
instrumentalizar as vigilâncias dos municípios a atuar na fiscalização das
condições de trabalho e, se possível, realizar busca ativa de casos de
intoxicação crônica por agrotóxicos”. Ou seja, a partir de informações de uma
intoxicação (o evento sentinela) a Vigilância deve buscar no local de
ocorrência (busca ativa) casos semelhantes. Como ela mesmo afirma: “Esse
trabalho é um início para um novo modelo de vigilância e captação de dados”.
Esta reportagem
marca o início da série “Agrotóxicos: a história por trás dos números”,
realizada pelo Icict, com matérias sobre uso de agrotóxicos no Brasil.
http://www.icict.fiocruz.br/content/artigo-relaciona-morte-de-trabalhadores-por-agrot%C3%B3xicos-e-sua-subnotifica%C3%A7%C3%A3o acesso
6.2.2016
A controvérsia sobre o uso seguro de agrotóxicos
Graça Portela &
Raíza Tourinho
,
13/01/2016
A discussão sobre a
notificação compulsória nos casos de intoxicação por agrotóxicos ganha mais
força quando se debate se existe ou não segurança para a produção, manuseio e
aplicação dos agrotóxicos, ou até mesmo no consumo de alimentos ingeridos pela
população.
Para o Sindicato
Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal – Sindiveg, sim, existe
segurança. Segundo a vice-presidente executiva do Sindicato, Silvia Fagnani,
“se usado de forma correta no campo, a aplicação de agroquímicos é segura”. Ela
cita que os produtos, antes de serem registrados e liberados para a
comercialização, são submetidos à avaliação agronômica, ambiental e
toxicológica dos ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e da Saúde, por
meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De fato, a Anvisa
coordena as ações na área de toxicologia no Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária, do Ministério da Saúde, regulamentando, analisando, controlando e
fiscalizando produtos e serviços que envolvam riscos à saúde – agrotóxicos,
componentes e afins, além de outras substâncias químicas de interesse
toxicológico. Segundo informações do site da Agência, ela também “realiza a
avaliação toxicológica para fins de registro dos agrotóxicos, a reavaliação de
moléculas já registradas e normatiza e elabora regulamentos técnicos e
monografias dos ingredientes ativos dos agrotóxicos. Além disso, coordena o
Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos nos Alimentos (PARA) e a Rede
Nacional de Centros de Informação Toxicológica (Renaciat) e promove
capacitações em toxicologia”.
Em dezembro de
2015, por exemplo, a Anvisa baniu o ingrediente ativo Parationa Metílica,
substância associada ao câncer, desregulação endócrina, além de alterações nos
genes (mutagênico) e no cérebro (neurotóxico). A decisão foi baseada nos
resultados da consulta pública e às evidências científicas que “demonstram a
extrema toxicidade deste ingrediente ativo”, segundo a nota da Agência. A
Fiocruz também contribuiu com um parecer técnico para subsidiar a proposição de
regulamento técnico para a substância.
O registro de
agrotóxicos no Brasil não tem prazo de validade, ao contrário do que ocorre na
União Europeia (10 anos) e em países como Estados Unidos (15 anos), Japão (3
anos) e Uruguai (4 anos). O banimento só foi possível graças a RDC 10/2008, que
estabeleceu o processo de reavaliação de 14 substâncias já proibidas em outros
países – dos 45 países pesquisados, a Parationa não pode ser comercializada em
34 e nos demais é utilizada com severas restrições. A reavaliação foi iniciada
em 2008, mas ainda está longe de acabar. Este é o oitavo produto cuja a análise
é concluída, e o sexto a ser banido (os outros cinco são Cihexatina,
Endossulfam, Forato, Metamidofós e Triclorfom). Os dois restantes foram
mantidos no mercado, mas com restrições de uso (Acefato e Fosmete). Atualmente,
uma substância está em consulta pública (Carbofurano) e outras cinco com o
processo em andamento (Lactofem, Abamectina, Tiram, Paraquate e Glifosato,
sendo o último o mais usado no Brasil). Mas, e o agricultor que manipula o
produto químico, sabe o que está fazendo?
Capacitação no uso
Silvia Fagnani
explica que a indústria mantém uma preocupação com aqueles que manipulam os
produtos químicos: “As empresas do setor capacitaram nos últimos quinze anos,
entre 700 mil a 1 milhão de pessoas/por ano. Só no ano de 2011, foram mais de 3
milhões de pessoas treinadas”, afirma.
E há informação
adequada sobre as substâncias que compõem os agrotóxicos em seus rótulos e seus
efeitos colaterais? Com a experiência de quem trabalhou anos com a análise de
agrotóxicos, o ex-gerente de Toxicologia da Anvisa e pesquisador do Centro de
Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH), da Escola Nacional
de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP)/Fiocruz Luiz Claudio Meirelles afirma,
sem titubear: “Não. Tanto para o usuário do produto como para o profissional de
saúde. Existe uma linguagem técnica estabelecida para apresentação substâncias
químicas que nem sempre é apropriada por quem vai usar o produto ou intervir
nos casos de intoxicação. Insuficiência de dados sobre a toxicidade,
pictogramas de difícil interpretação, doses e preparações de complicado
entendimento são exemplos onde técnicas adequadas de comunicação são pouco ou
nunca empregadas”.
A linguagem técnica
é um desafio especialmente se considerarmos o perfil do trabalhador rural. De
acordo com o “Dossiê Abrasco: uma alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na
saúde”, uma compilação em 600 páginas de diversos estudos sobre a questão, os
trabalhadores rurais no Brasil têm, em geral, baixo nível de escolaridade;
muitas vezes utilizam a aplicação intensiva de agrotóxicos como principal
medida de controle de pragas; passaram por pouco ou nenhum treinamento para a
utilização de agrotóxicos; desconhecem muitas situações de risco e não usam
equipamentos de proteção coletiva e individual para a manipulação e aplicação
dos produtos. Ao traçar o perfil socioeconômico das vítimas de óbito
ocupacional por agrotóxicos, Rosany Bochner não encontrou um cenário diferente:
há predomínio do sexo masculino (91%), idade entre 40 a 59 anos (55%), raça/cor
branca (58%), baixa escolaridade com menos de três anos de instrução (45%),
estado civil dividido entre solteiros (39%) e casados (33%).
No documentário
Chapada do Apodi – vida e morte, uma produção da VideoSaúde Distribuidora da
Fiocruz e a Articulação Nacional de Agroecologia – ANA, duas gerações
de agricultores que lidam com agrotóxicos, José Ernilton e Francisco Jerimar,
falam sobre o seu trabalho. E Raquel Rigotto, pesquisadora da Universidade
Federal do Ceará - UFCE, fala da pesquisa que fez nas cidades no entorno
de Limoeiro do Norte, no Ceará. Assista o vídeo abaixo:
Informação & realidade
Apesar do esforço
da indústria de agrotóxicos em informar e capacitar agricultores sobre o uso de
agrotóxicos, a realidade é bem diferente. Em sua dissertação de mestrado na
Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, defendida em 2014, intitulada
“O agricultor familiar e o uso (in)seguro de agrotóxicos no município de
Lavras, MG”, o farmacêutico Pedro de Abreu analisou o caso da cidade de Lavras,
no interior de Minas Gerais, considerando o contexto socioeconômico em que a
maioria dos pequenos produtores rurais do município se encontra, e os resultados
foram preocupantes.
Ele entrevistou 136
trabalhadores rurais, oriundos de 81 unidades de produção familiar em 19
comunidades. O que ele constatou é que, por mais que esforcem, os produtores
não possuem nem conhecimento nem recursos para seguir as normas preconizadas
pela Lei dos Agrotóxicos ou pelos manuais de segurança, elaborados pela
Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andev, que representa as indústrias
químicas) e por instituições públicas de saúde, meio ambiente e agricultura.
De acordo com Abreu,
os manuais de segurança contemplam seis etapas relacionadas ao uso dos
agrotóxicos: aquisição, transporte, armazenamento, preparo e aplicação,
destinação final das embalagens vazias e lavagem das roupas e dos equipamentos
de proteção individual contaminados. Contudo, dentro de cada etapa há diversas
medidas que, se não forem cumpridas, não se configura o uso seguro. É o caso da
compra de produtos. A lei prevê que os agrotóxicos sejam prescritos por um
agrônomo, após visitar a propriedade. No entanto, na maior parte dos casos,
basta ir à loja, que um agrônomo emite na hora a receita agronômica, quando já
não a deixa assinada na loja.
No estudo, ainda
foram constatadas outras irregularidades, como o transporte em carros de
passeio, motocicletas ou até mesmo em ônibus (e não na área externa das
caminhonetes, como prevê os manuais); o armazenamento dos produtos em tulhas –
locais onde são guardados os cereais –, paiol, na própria plantação ou até
dentro de casa (o correto é em local próprio, distante de residências e de
cursos de água); a lavagem das roupas utilizadas na aplicação dentro do mesmo
tanque utilizado para as outras roupas da família e até mesmo a falta do uso
dos EPIs. “Poucos disseram usar todos os equipamentos indicados e nenhum deles
relatou saber o modo considerado correto de colocar e tirar os equipamentos, o
que obviamente compromete a segurança desses trabalhadores”, declarou o
pesquisador.
Segundo Pedro
Abreu, "ao analisarmos toda essa situação, vemos que estamos diante de
dois grandes nós. Um deles diz respeito à responsabilização desses agricultores
pelos riscos e danos envolvidos na utilização de agrotóxicos. O outro refere-se
à imposição, pelo Estado e pelas poderosas industriais químicas, de um modelo
de produção de alimentos que é insustentável e dependente de agrotóxicos, com
consequente ausência de políticas públicas que favoreçam os agricultores
familiares. Eles estão completamente desassistidos".
Suas observações
reforçam o que diz Claudio Silva, advogado do primeiro caso de óbito
ocupacional por agrotóxicos comprovado pela justiça (relembre o caso aqui): “Existe um
‘mito’ que os agrotóxicos não fazem mal, se aplicado segundo determinados
critérios. Essa falsa ideia interessa aos setores empresariais que se
beneficiam da comercialização e aplicação dos agrotóxicos. Sabemos que o lobby
é imenso. A parte mais frágil, que são os trabalhadores e consumidores, sofrem
com graves danos, muitas vezes doenças crônicas ou mesmo a morte”.
A mesma opinião tem
Luiz Claudio Meirelles, para quem as informações sobre agrotóxicos “interessam
a toda população brasileira em seus diversos segmentos para que possam
conhecer, se organizar, se defender e intervir sobre as situações que
representam risco a vida. Mas não interessam aos que seguem lucrando com a
alienação, a ignorância e a inoperância das instituições e organizações da
sociedade”, afirma.
Esta é a terceira
reportagem da série “Agrotóxicos: a história por trás dos números”, realizada
pelo Icict, com matérias sobre uso de agrotóxicos no Brasil. Leia as outras
matérias da série aqui:
sábado, 10 de junho de 2017
O Pulso Ainda Pulsa 3: Quando trabalhar é Adoecer (Da Alienação a Depressão)
Em o pulso ainda
pulsa 1, publicamos um relatório da indústria farmacêutica, que sem nenhum
disfarce, lamentava a queda das doenças, resfriados e epidemias daquele ano devido
ao clima ameno não esperado. Ao mesmo tempo, o relatório comemorava a previsão
do tempo para o ano seguinte que anunciava clima ruim e, portanto, esperança de
aumento das epidemias e doenças respiratórias, o que os faria recuperar os
lucros.
No pulso ainda
pulsa 2, em Receita marcada, a reportagem da TV Bandeirantes mostrou os
laboratórios farmacêuticos, pagando viagens, festas, jantares luxuosos e
distribuindo presentes aos médicos formados e ao futuros médicos, os induzindo
a receitar seus remédios mais caros ou fidelizar os pacientes.
Hoje, o Norte compartilha
com você, o terceiro post da série O Pulso Ainda Pulsa.
Um excelente trabalho de pesquisa de Emílio Gennari sobre o adoecimento no
mundo do trabalho. Gennari constatou que o sofrimento dos trabalhadores tem
sido uma “ótima” fonte de lucro para a indústria em geral e principalmente para
a indústria farmacêutica. O Capitalismo tem destruído sistematicamente seu
criador, o trabalho.
Publicamos também uma
adaptação do poema de Arnaldo Antunes, o Pulso. Na sequência você encontrará os
links para ler online ou baixar os textos da pesquisa de Gennari. Leia com calma
e a seu tempo e se puder estude-os.
O Pulso Ainda Pulsa
(Adaptação do poema de
Arnaldo Antunes)
O pulso ainda pulsa...
Brupopiona, dipirona
Buscopan, Carbolitiun,
Risperidona, Hadol, hortelã
Sertralina, rivotril, Aspirina,
Centrum pra menino
Centrum pra menina
pro
capital ouro, Mina
O
pulso ainda pulsa
O
pulso ainda pulsa...
Peste
bubônica
Câncer,
pneumonia
Raiva,
rubéola
Tuberculose
e anemia
Trabalho
Sofrimento,
Depressão, Avaria
pro
capital ouro, Mina
Mais - valia
E
o pulso ainda pulsa
E
o pulso ainda pulsa
Ansiedade,
hipertensão
Úlcera,
Gastrite,
Hepatite,
escarlatina
Estupidez,
paralisia
Estomatite,
LER
Bursite,
inflamação
Suicídio,
letargia
Bournot,
Depressão
Omeprazol,
Ezomeprazol,
Leite
de magnésio
Buscopan,
injeção
Trabalho Sofrimento,
Depressão, Avaria
pro capital ouro, Mina
Mercado, lucro
Exploração, Mais-valia
E
o corpo ainda é pouco
E
o corpo ainda é pouco
Assim...
Reumatismo,
raquitismo
Cistite,
disritmia
Medo
da fome
Hérnia,
pediculose
Tétano,
hipocrisia
Desemprego
Miséria
Brucelose,
febre tifóide
Arteriosclerose,
miopia
Catapora,
culpa, cárie
Câimbra,
lepra, afasia...
Reforma trabalhista, Previdência
Suicídio, letargia, Depressão
Capital e mais valia
Fluoxetina,
diazepan,
Brupopiona,
dipirona
Buscopan,
Carbolitiun,
Risperidona,
Hadol, hortelã
Sertralina,
rivotril, Aspirina,
Centrum
pra menino
Centrum
pra menina
Trabalho
Sofrimento,
pro
capital ouro, Mina
O
pulso ainda pulsa
E
o corpo ainda é pouco
E o Lucro ainda é pouco
E
o pulso ainda pulsa
E o Lucro ainda é pouco
Ainda
é pouco
Assim...
Boa
Leitura!
domingo, 4 de junho de 2017
O Pulso ainda Pulsa 2 - Receita marcada: A Indústria Farmacêutica e a "Corrupção de médicos"
O Pulso ainda pulsa 2
Tão
revelador quanto o artigo de José Sarney é esta reportagem da Rede Bandeirantes de Televisão sobre a atuação da
indústria farmacêutica, que "seduz", tanto jovens estudantes de
medicina, quanto médicos experientes, por meio de almoços em restaurantes sofisticados
ou vagens internacionais a paradisíacos centros de lazer e entretenimento.
Estas
são provas irrefutáveis de que o principal interesse da indústria e dos
laboratórios farmacêuticos na venda de remédios e equipamentos hospitalares é o lucro. a cura e a saúde dos pacientes fica em segundo ou terceiro plano nas metas destas empresas. Em primeiro lugar está sempre os fartos e gordos
lucros. Esta Reportagem dispensa comentários.
NORTE
“O Pulso Ainda Pulsa ... O Corpo Ainda é Pouco” (Arnaldo Antunes): A Depressão e outros males do trabalho.
"O inverno foi muito fraco e, com o tempo bom, não tivemos a incidência de pneumonia nem complicações respiratórias. Os casos de gripe foram muito aquém de nossas previsões e os gastos com anúncios sobre nossos produtos, excessivos. Assim, pedimos a compreensão dos nossos acionistas para os baixos lucros, que não foram decorrentes da falta de esforço de nossos executivos".
E continuava: "Contudo
as perspectivas de melhoria são excelentes. Todas as previsões meteorológicas
indicam que vamos ter um rigoroso inverno, com novos vírus gripais, não sendo
descartada a hipótese de incidência de epidemias. Assim, o volume de consumo
dos nossos medicamentos vai ser muito grande e explosivo, compensando o fraco
desempenho deste ano". (Prestação de Contas aos Acionistas da Indústria Farmacêutica. Por José Sarney):
Estranho! O Conselho de Classe está publicando um artigo
do José Sarney? Este sim verdadeiramente golpista com seu PMDB e o PFL de Marco
Maciel e Antônio Carlos Magalhães, visto que, fizeram acordo com a cúpula militar
a pedido da burguesia brasileira, e foram para o colégio eleitoral em 1985 elegendo
indiretamente Tancredo Neves e José Sarney para presidente e vice, frustrando a
maior campanha por eleições diretas (Diretas Já) do século XX no Brasil, contra a ditadura Civil Militar e por
democracia
A História é
conhecida. Tancredo pega uma infecção hospitalar durante uma cirurgia, more e o
vice assume, teoria da conspiração é pouco, dizem que os militares e homens
próximos a eles sabiam que Tancredo estava doente e que não durara muito,
portanto, o governo ficaria com quem sempre apoiou a ditadura civil militar e usufrui
dela.
Mas este não é o tema
de nossa publicação. Nosso tema é a saúde do trabalhador. Por isto a grande
contradição do sistema capitalista e não paradoxo como diz o José Sarney é que
o trabalhador que produz toda a riqueza em nossa sociedade é destruído e perde
sua saúde a cada dia a mais de trabalho. Na verdade, podíamos dizer sem meias
palavras: O trabalho está matando o trabalhador. O trabalho na sociedade capitalista
está adoecendo cada vez mais trabalhadores e suas famílias. E isto tem sido
motivo de alegria para a indústria farmacêutica. O que José Sarney chama de
paradoxo e severo de lógica capitalista mais acertadamente.
Publicaremos uma
série de artigos e reportagens sobre o tema. Por incrível que pareça José Sarney é um deles. Não por ser um explorador, ex-presidente golpista, Coronel senhor
de escravo do Maranhão ou aquele que comprou um ano de mandato por meio de
concessões de rádio e televisão aos deputados e senadores, mas sim, por tornar público
o relatório da indústria farmacêutica lamentando a ausência de doenças e
comentando as previsões de aumento delas ano seguinte.
Boas leituras y Bons áudios e vídeos
NORTE
Um Mundo de Paradoxos
Jose Sarney
Abro os jornais e
leio que o desemprego aumentou nos Estados Unidos, que os juros vão crescer,
que isso significa dificuldades para muitas famílias. É uma notícia triste.
Estou errado. Para as Bolsas, não há nada de triste, ao contrário, é motivo de
euforia, vão subir, estão felizes porque o desemprego e a recessão são bons
sinais para a saúde delas. Quanto pior fica a vida para os que precisam de
trabalho, melhor a daqueles que têm excesso de dinheiro e necessitam especular.
É o que me ensina o presidente da Bolsa de Nova York, que foi além da euforia:
"Melhor notícia não podíamos ter".
Lembrei-me de uma história que já contei aqui, mas que não resisto a repeti-la. Severo Gomes era ministro da Indústria e Comércio e recebeu um relatório de um grande laboratório internacional, destinado a seus acionistas, justificando os seus lucros baixos naquele ano: "O inverno foi muito fraco e, com o tempo bom, não tivemos a incidência de pneumonia nem complicações respiratórias. Os casos de gripe foram muito aquém de nossas previsões e os gastos com anúncios sobre nossos produtos, excessivos. Assim, pedimos a compreensão dos nossos acionistas para os baixos lucros, que não foram decorrentes da falta de esforço de nossos executivos". E continuava: "Contudo as perspectivas de melhoria são excelentes. Todas as previsões meteorológicas indicam que vamos ter um rigoroso inverno, com novos vírus gripais, não sendo descartada a hipótese de incidência de epidemias. Assim, o volume de consumo dos nossos medicamentos vai ser muito grande e explosivo, compensando o fraco desempenho deste ano". Severo deu-me conhecimento do relatório e uma boa risada, advertindo que essa é a lógica capitalista.
No Carnaval, vi a grande discussão sobre se os desfiles deviam ou não incluir temas religiosos. Houve uma guerra de liminares. Quando as primeiras foram concedidas, proibindo a participação de Nossa Senhora da Esperança e do símbolo cristão da cruz, pensei que os carnavalescos estavam tristes. Ao contrário, estavam alegres, pois o fato aumentava a curiosidade sobre as escolas. Por outro lado, um dos organizadores do desfile considerou a proibição boa porque agora iam fazer uma ala só de cardeais, padres, bispos e monges, que seria obrigatória no Carnaval do próximo ano.
Uma jovem passista,
que ia aos desfiles todos os anos e que foi pioneira no topless, ficara feliz
com a liberação geral dos bustos, mas eu estava enganado. Ela declarou que
estava triste porque agora ninguém olha para a novidade do seu próprio. Em
Viena, sem ser Carnaval, em vez de mulheres, uma multidão de homens nus entrou
na loja Kassa. Julguei que era gosto de andar pelado, mas era justamente o
contrário: eles queriam vestir-se e ganhar uma mala de roupa, que seria dada
pela loja numa promoção aos primeiros que chegassem.
Não deixa de ser
paradoxal que os nossos homens públicos, depois de carreiras exitosas, estejam
frustrados, não pelo bem que fizeram, mas pelo papel que poderiam ter
desempenhado. O presidente Fernando Henrique queria ter sido ator; Pitta,
bailarino do Municipal; Maluf, pianista no Metropolitan.
Picasso, nesse jogo de "o que quer ser", disse que se fosse padre seria papa; militar, marechal; quis ser pintor e era Pablo Picasso! A vida é assim...
Picasso, nesse jogo de "o que quer ser", disse que se fosse padre seria papa; militar, marechal; quis ser pintor e era Pablo Picasso! A vida é assim...
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1003200007.htm
acesso 4.6.2017
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Para o Primeiro de Maio: Marcinelle: vozes de uma tragédia.
“Não há nada
mais eficaz para a defesa dos oprimidos do que o simples e sincero relato de
sua História. ” Foi o que escreveu Lisagaray, contemporâneo da Comuna de Paris de
1871, depois da derrota dos proletários naquela cidade.
O Artigo que publicamos abaixo contém um destes
relatos sinceros sobre a situação dos trabalhadores italianos nas minas de
carvão da Bélgica. Leitura obrigatória para nossos tempos nos quais, os
senhores capitalistas e seu governo, atacam nossos direitos sem meias palavras,
ignorando o quanto nós continuamos morrendo e adoecendo no trabalho cotidiano em
minas, bancos, escolas, hospitais, fábricas, no campo e na cidade, enquanto
produzimos riqueza a custa de nossas vidas.
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