quarta-feira, 15 de abril de 2026

A Verdade sobre o pecado de Sodoma e Gomorra



Por André Paes 

Em nosso arquivo mental de memória bíblica sabemos e respondemos que o pecado de Sodoma e Gomorra é relacionado à homossexualidade, ou quando muito, ao ato sexual violento de homem contra homem. Fundamentamos esse “conhecimento” no relato de Gênesis, no qual os habitantes de Sodoma e Gomorra se revelam brutos e selvagens, intentando violentar sexualmente os misteriosos viajantes recém-chegados que visitavam Ló, sobrinho de Abraão. É assim que nasceu o termo “sodomia” ... Ora, através do tempo e do espaço, propagou-se e solidificou-se a ideia de que Sodoma e Gomorra foram destruídas por Deus por este motivo...

A ira divina, então, recaiu sobre homens que intentaram violentar visitantes vindos do céu? Ora, o profeta Ezequiel trás luz a esse fato. Segundo ele, deparamo-nos com a seguinte sentença bíblica: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado. E se ensoberbeceram, e fizeram abominações diante de mim; portanto, vendo eu isto as tirei dali”. (Ezequiel 16:49,50).

Muito bem. Temos aqui o que eu considero a solução de um enigma: qual foi o pecado de Sodoma e Gomorra? Pelo profeta Ezequiel, tomo conhecimento de que os habitantes de Sodoma e Gomorra tinham fartura de comida e abundância de ociosidade, mas nunca se ocuparam de atender o pobre e necessitado. Ora, se tinha pão em abundância, mas viviam na ociosidade, como conseguiam produzir e obter alimento? Quem produzia a comida e garantia a possiblidade de que “as filhas” de Sodoma e Gomorra vivessem folgadas e saciadas?  Acredito que o leitor já saiba a resposta a esse “enigma”. O pecado de Sodoma e Gomorra, portanto, está relacionado diretamente à exploração dos trabalhadores. O pobre e o necessitado parecem ser os que trabalham e, mesmo assim, ficam na penúria, o que leva ao fato de que um grupo possa se esbaldar na abundância e na ociosidade.

Identificamos o pecado. Proponho que avancemos no diálogo com esse texto bíblico para discutirmos ações que extingam essa situação de exploração. Pois bem. Poderíamos ventilar duas coisas. Primeiramente, uma política pública. Sim. Políticas públicas são valiosas em contextos de populações marginalizadas e vulneráveis economicamente. Se por um lado podem servir como instrumento eleitoreiro e discursos populistas e demagógicos, as políticas públicas podem por outro lado, atender necessidades emergenciais, sendo um bom paliativo para evitar a absoluta carência de quem está em sofrimento social.

Em segundo, penso na ação dos próprios “fracos e oprimidos” em uma luta por direitos e até mesmo pela extinção das relações de exploração e da desigualdade. Por ser um texto bíblico, a solução vem com a destruição de Sodoma e Gomorra por obra divina, por que seus moradores “nunca fortaleceram a mão do pobre e necessitado”.

Isto posto, deduzo que a ação de Deus se dá em favor do “pobre e necessitado”, dos vulneráveis de uma sociedade que se estrutura na desigualdade.

 


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